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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A Solidão nos Corredores dos Hospitais (by Maria Edith F. A. Rufino)

Maria Edith Rufino
Do que quero falar hoje, tem sido discutido exaustivamente em Universidades, trabalhos científicos e etc, como pude constatar. Existem "n" artigos e até livros sobre o assunto. Mas o que pude perceber como testemunha no convívio diário por meses nos corredores de um hospital, é que a realidade de muitos nada tem a ver com as teorias ou trabalhos práticos vindo de organizações e/ou governos.

Estamos em época de política, e para variar, ninguém ou uma minoria conhece as intenções de cada um desses que querem governar o país, porque a sujeira é tanta, que passam o tempo todo, se defendendo, e o pior, num horário nobre, nunca aproveitado em prol de alguma coisa útil para este país. E o que é mais pobre ainda, é perceber que na maioria das discussões políticas, poucos realmente conhecem o que estão dizendo. Política neste país, infelizmente está a venda, e leva quem tem maior poder de compra. Mas se é um povo que faz a nação, com certeza, temos a nação que merecemos.

Gostaria muitissimo de ver tanta gente unida, verdadeiramente, pelos problemas que as pessoas enfrentam diariamente e que com um pouco de bom senso, poderiam amenizar.


Neste convivio de corredores de hospitais, acaba acontecendo, como um pedido de socorro mudo, uma solidariedade e uma intimidade que talvez seja, no momento o que mais os ajuda, tão somente isto, e muito de vez em quando uma conversa com a psicóloga.

Este universo, na maioria feminino padecem para se ajustarem as novas realidades que lhe são impostas, porque estas mulheres são filhas, mães, avós. Mães dos filhos ali em recuperaçao ou a espera de um doador, no caso de transplantes, ou de um milagre em outros casos, mas tambem são mães dos que ficaram em cidades distantes, e são esposas e são filhas de mães muitas vezes já em idade avançada e que também precisam de cuidados. É uma roda viva e de vidas, é preciso ter muita estrutura para não se sucumbir nesta roda.

Percebi que no início há uma solidariedade da família, dos maridos, sogros... que, com o decorrer do tempo vão se distanciando, pois passado o primeiro impacto, entre vida e morte, tudo tende a cair na rotina, as pessoas voltam o que lhe é normal, e o acompanhante do doente continua vivendo um dia de cada vez, no corredor de um hospital.

Estas pessoas geralmente encontram forças pra seguir em frente, na maioria das vezes, da própria vontade de vencer a doença, de vencer os obstaculos do momento. De ver a pessoa amada curada, voltar pra casa e restabelecer o convívio com a família.
Porém, muitas quando voltam já não possuem mais esta família, tudo está desestruturado, as finanças, o amor, as amizades, o emprego e por ai vai.

Há os que recomeçam felizes porque apesar de tudo, podem fazê-lo ao lado do que venceu a doença, mas outros tem que recomeçar do nada, inclusive do vazio infinito da perda. Como bem disse minha amiga de Natal/RN.

Mediante tantas separações de casais, quando mais deveriam estar unidos, pergunto-me o quanto as emoções podem interferir ou estar conectadas entre a mente e o corpo, porque as substâncias químicas que travam a guerra em corpos e também entre a razão e a emoção dão vazão a erros incompreensíveis em situações tão efêmeras.

Escrevo aqui no feminino, porque elas são a maioria, mas existe o contrário, homens que ficaram e mulheres que abandonaram. Porém neste universo, a mulher, a mãe é predominante, ela não abandona a cria, ela perde tudo, mas continua ali, incansável até quando precisarem delas.

Quem não conhece, e se não conhecem, deveriam, saber das lutas diárias das Mães de UTI, por exemplo, mulheres que estão anos vivendo em um hospital. E muitas delas e de muitas outras, como mães de filhos com deficiência, abandonadas pelo marido, como se eles não fossem pais.

As separações entre casais são tão somente entre os casais,ou deveriam, mas na maioria, separam dos filhos tambem. Graças a Deus, que pelo menos nisto, este índice é bem menor nos ultimos 10 anos.

Por outro lado é muito gratificante saber que ja existem bons exemplos espalhados pelo Brasil, como o que li recentemente: um hospital em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, humanizou o seu espaço, com desenhos cobrindo as paredes e brinquedos estão por toda a parte, inclusive com aquário, trazendo tranqüilidade aos que ali vivem, pos esta é a palavra, ali vivem, mãe e filho.

É preciso que haja em todos os estados iniciativas de humanização, que ocupem mais o horário nobre em prol de algum assunto que realmente seja nobre, e que mais insituições abracem estas mulheres e abracem também estes homens, e os ensine que o respeito a Deus e a família, devem estar em primeiro lugar. Tudo o mais pode esperar.
Que mais psicólogos, terapeutas ocupacionais, e etc, sejam contratados e andem, como todos, nos corredores ouvindo estas pessoas, elas precisam disto! É fortalecendo estas mulheres que elas terão mais energia para passarem para seus filhos.

Não tenham dúvida, o que está acontecendo por detrás dos consultórios médicos, merece uma atenção toda especial por parte dos nossos governantes. E que mais instituições como o Instituto Abrace http://www.institutoabrace.org.br/ sejam criados neste pais.

Motociclismo, Uma Paixão Que Vicia! (by Beto De Lucca - Estados Unidos)

Beto De Lucca
Todo mundo já viu ou ouviu falar de grupos de motociclistas que se encontram periodicamente, passeiam juntos, andam vestidos à caráter, entre outras peculiaridades deste universo de pessoas. Vou aqui dividir com você uma parte da minha experiência como motociclista, a qual envolve a participação em um destes motogrupos, além da convivência periódica com praticantes desta atividade tão especial. Quero contribuir um pouquinho para a disseminação dos prazeres e alegrias do mundo das duas rodas, nem sempre compreendido pela sociedade.

Bom, pra começar, é crucial esclarecer um engano muito comum. Muita gente chama os integrantes de motogrupos, ou motociclistas que passeiam sozinhos, de “motoqueiros”. Hoje em dia este é um termo considerado pejorativo, que designa algo de não muito bom associado ao fato de se pilotar uma moto. Como todos sabem, existem pilotos, mais comumente encontrados nas grandes cidades, que na verdade são um desastre para o já caótico trânsito destas localidades. Andam feito loucos por entre os carros, chutam os espelhos retrovisores de motoristas de automóveis que ousam não manter uma certa distância deles (ainda que eles trafeguem por um local proibido), estacionam nas calçadas, etc, etc, etc. Eu poderia enumerar mais umas dezenas de irregularidades praticadas diariamente por estes bárbaros, e que eu via todos os dias quando residia em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, e ainda que em menor número, também infelizmente em Uberlândia. Estes são os “motoqueiros”, aqueles que usam a moto para o seu transporte, às vezes também o de mercadorias, mas que fazem questão de serem os loucos do asfalto. Infelizmente também às vezes existem generalizações, dizendo-se, por exemplo, que os motoboys são assim, o que evidentemente não é 100% verdade. Ainda que parte dos integrantes dessa classe sejam imprudentes, eu mesmo conheço alguns que são verdadeiros motociclistas, andando de acordo com a lei, respeitando os demais condutores da via em que estão, e que tem bom senso na hora de pilotar sua moto. Enfim, eu fiz questão de dar ênfase a esta questão, pois se você um dia for se dirigir a alguém que pilota uma moto e a sua intenção não é dar margem a uma eventual interpretação dúbia, diga “motociclista”, sempre!

Então como diria um apaixonado que conheço pela língua Inglesa, “back to the ice cream” (de volta ao sorvete, com sentido de volta ao assunto gostoso que estava sendo discutido antes...) gostar de andar de moto é algo que afirmo já ser quase genético. Se alguém discorda, como explicar, por exemplo, então uma paixão de uma criança, menino ou menina de às vezes 5 ou 6 anos de idade, de pais que nunca tiveram motos, por esse objeto de admiração de milhares de pessoas? Os olhos brilhando, o coração disparando ao se ouvir o som maravilhoso se aproximando, são os sintomas mais clássicos. Eu por exemplo, vivi numa família a vida toda sem motos, nunca tive contato com motociclistas, mas sempre colecionei objetos e adereços alusivos à Harley Davidson, minha paixão incondicional. Se eu comprasse uma moto, mesmo que maior de idade quando vivia próximo aos pais, a minha mãe morreria de enfarto, e o meu pai de desgosto. E ainda assim aquele sentimento me dominava.... E como eu, conheci tantas outras pessoas com experiências semelhantes, realmente com algo que “vem” no sangue, que está na alma. Por exemplo, meu sogro. Pilotou por mais de 40 anos, até hoje dá seus passeios (e ele está com mais de 70 anos). Ele uns anos atrás pegou minha sogra, e fez uma viagem de 700 km. Eu fiquei olhando, pensando, e cheguei à conclusão de que eles estava fazendo algo de muito bom.

Fui comprar minha 1ª. moto quando me mudei pra Uberlândia em 1999, uma Yamaha Virago 535. Eu nem acreditava que estava realizando esse sonho, e o mais incrível, eu o fiz sem saber andar de moto! Como estava longe dos pais, ninguém iria passar mal de saúde com preocupações, e eu poderia aprender com tranqüilidade. E depois de 15 dias, já me virava bem, mas posso dizer que aprendi a ser um motociclista mesmo após 01 ano de saídas praticamente diárias. Neste momento é importante descrever as 1as. sensações do vento no rosto que tantos falam. Não adianta abrir o vidro do carro e colocar a cara pra fora, não adianta ficar de frente pro ventilador, nem mesmo ir à bordo do Titanic e se colocar na proa com os braços abertos! Nada se iguala a um passeio, de preferência numa rodovia tranqüila, num dia de temperatura agradável, em cima da sua querida.... E não pense besteira, quando digo querida, sempre estou referindo à moto, claro! A sensação é inigualável, insuperável, incrivelmente única. Só um motociclista sabe o que é se recuperar de um dia de stress depois de pilotar sua máquina por uns 15 minutos. Nada pode ajudar tanto. Depois da Virago, passei pra uma Suzuki Bandit 1200 (essa deu grande emoção, apesar de ser de estilo diferente do que mais aprecio), depois um triciclo By Cristo Star II Top, em seguida pra “Verônica”, minha 1a.  Harley Davidson Softail (uma Springer), e por último, uma Harley Softail Rocker (a "Jennifer").  A Verônica era temperamental, nunca podia ficar mais de uma semana sem pilotá-la, senão ela me queimava. Eu como muitas vezes piloto de bermuda, ela se aproveitava disso quando se sentia abandonada, e pronto, dava aquela fritadinha na batata da perna.  Já a Jennifer, por ser mais novinha, me entendia sempre, pilotando ou não...rs... O difícil foi quando eu tive que me desfazer das minhas paixões, ah como chorei meus amigos.... às vezes as necessidades da vida nos obrigam a fazer coisas inimagináveis, contudo sempre há uma opção: e eu opto sempre pelo dia de amanhã melhor que o de hoje. Eu me mudei para os USA, e aqui estou ainda no começo, quando a coisa ficar melhorzinha, vou arrumar uma nova companheira....

Costumam dizer por aí que existem duas categorias de motociclistas, os que já caíram, e os que vão cair. Eu estou na categoria dos que vão cair, e se possível pretendo permanecer sempre nessa categoria. Agora as queimadinhas, essas são inevitáveis! O jeito é pedir pro Timba - Uberlândia - e pra Carla Rissatto – São Paulo (os melhores tatuadores do Brasil, sem dúvida!) tatuarem a minha perna, assim eu fico com dó de estragar a tatuagem, e piloto só de calças compridas, acabando com o risco de acabar com o pote de caladryl de casa.

E os motogrupos, uma boa ou não participar? Isso vai muito de cada um, é uma questão pessoal mesmo. Existem aqueles mais tradicionais, os que se encontram com menos freqüência, existem opções para adeptos de vários estilos. O maior e mais conhecido motogrupo do Brasil é o intitulado “Os Abutres”. Sempre de roupas de couro pretas, seus coletes com o emblema do grupo e o respectivo nome do motociclista, entre outros adereços. Assim como os demais motogrupos, só aceitam novos membros por indicação, e tem seu estatuto próprio, com todas as regras e condições para a adesão, direitos e deveres dos iniciantes e veteranos, tudo bem definido. Eu participei do “Hell´s Bells” de Jundiaí, na verdade um pequeno grupo de amigos fanáticos por Harleys, que se uniram e que quando dava na “telha”, ligavam suas queridas e partiam pro crime, no bom sentido, é claro! O que eu gostaria de citar aqui, o que realmente considero mais importante, é a questão de se viajar sozinho ou acompanhado de outras motos. Na minha opinião, o bacana e agradável, é ter os amigos por perto sempre que possível. Se é só uma união casual ou se são participantes de um mesmo motogrupo, isso não é o mais importante. O fato de estarem juntos naquele momento, dividindo a pista, trocando idéias, à disposição do outro se precisarem de apoio, e chegando junto no destino como se estivessem invadindo uma cidade, ah, isso não tem nada igual! O barulho das motos chegando juntas, os olhares admirados (mesmo que disfarçados às vezes), é algo que causa uma agradável sensação. Não é narcisismo não, nem tampouco exibicionismo. É simplesmente a vontade de mostrar ao mundo que existe uma forma muito bacana de ser feliz!

Enfim, aqui não quero deixar nenhum familiar desesperado por ter um ente querido partindo para o mundo das duas rodas. Quero sim poder ver mais pessoas livres do stress do dia-a-dia, mais felizes em casa ou no trabalho, e cientes de que podem mudar seu estado de espírito de uma forma simples. Tudo sempre com muita responsabilidade e prudência, pois de que adianta tudo isso se depois não estiver vivo pra contar a história!  Bom, valeu, e se vocês estiverem à fim, nos vemos na estrada!!!
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terça-feira, 26 de outubro de 2010

A Estação dos Frutos Maduros (by Irmã. Selma Cristina - Portugal)

Irmã Selma Santos
    “UMA ÁRVORE TEM ESPERANÇA:
    MESMO QUE A CORTEM, TORNARÁ  A BROTAR,
    E NÃO FALTARÃO OS SEUS RAMOS.
    SE ENVELHECER NA TERRA A SUA RAIZ
    E MORRER O SEU TRONCO NO PÓ,
    AO CHEIRO DA ÁGUA REBROTARÁ
    E PRODUZIRÁ  FOLHAGEM COMO PLANTA NOVA. (Jó 14,7-9) 
          O livro da vida saberia de sobejo retratar aqui o que realmente me veio ao coração e à mente. Quando escrevo muito antes de transcrever o pensamento em palavras concebo o texto na mente e no coração, e sinto a força extraordinária desse dom que é pensar e expressar, ainda que de forma esboçada o que nos vai na alma.
          Sempre tive muita facilidade de convivência com as pessoas da chamada “melhor idade”, e quanto mais os meus anos vão se assomando, e meus cabelos já espelham uns raiozinhos brancos e bem chegados, penso que a vida é curta para tanto amor. Muitos poderiam falar de cátedra desse assunto, ao morar num continente onde o índice de idosos tem se acentuado consideravelmente penso o quanto essa gente de rosto sulcado e vivido merece nosso respeito e veneração, quanto a isso os orientais nos deixam humilhados e nos superam em muito.
          Nós, por vezes, ainda com as forças das pernas e o perfeito uso da razão, não avaliamos nem de perto nem de longe, o manancial de presença transformadora e transformante que nossos idosos oferecem. Ao trabalhar já a 16 anos com essa fatia da sociedade sinto que há muito que aprender com eles, e cada dia equivalem a 100 para ser bem aproveitado do nascer ao sol poente. Quem deles se aproxima acaba por perceber que a estação é já do fruto amadurecido sob o sol do sofrimento, da conquista, permeado de derrota, de esforço, de luta…por isso seu fruto tem sabor de vida, de coisa nova e boa, de paz de espírito, porque não se retraíram diante da batalha, não se acovardaram diante das decisões, não buscaram o próprio interesse e souberam olhar longe, tão longe que ao perder a vista não se confinaram no medo ou na angústia, lançaram-se como aventureiros da humana vida, vida única e tão cheia de desafios, entenderam por fim que nossa alma é peregrina e que aqui não há morada permanente.
          Temos uma missão a cumprir, e a chave da escolha está em nossas mãos, decidir cabe a nós, cada vida é única, e cada tempo rege uma estação, a maturação do meu fruto depende da qualidade da semente, da força de brotar, do esforço em busca do sol. Não voltaremos de novo a esse caminho, a minha certeza é agora, vou ser depois o que hoje escolho viver, se o próximo é meu irmão, certamente no fim seremos uma grande família, Deus saberá extrair de cada dor a pérola da paz, e que alegria chegar ao fim da minha humana jornada, já com as forças diminutas, mas com a alma grande de quem soube viver a vida como o maior e mais belo de todos os presentes.
          A todos meus irmãos da idade do fruto maduro meu mais reverente beijo, reconhecido, grato e comovido, suas pegadas mudaram o rumo da terra, e sua existência o curso da humanidade. 
    “SOU MAIOR DO QUE QUALQUER COISA QUE POSSA ACONTECER
    COMIGO. TODAS ESSAS COISAS- TRISTEZA, DESGRAÇA E SOFRIMENTO- ESTÃO ALÉM DA MINHA PORTA. EU ESTOU DENTRO DE CASA E TENHO A CHAVE COMIGO.”
                                                                                       (Charles F. Lummis)
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sábado, 23 de outubro de 2010

De Homens e Mulheres (by Rogerio Rufino)


Nunca fui muito de falar sobre sexo ou assuntos relacionados, mesmo porque sou da opinião que sexo não se comenta, se faz, mas devo admitir que sexo e futebol eram os assuntos dominantes dos meu colegas de classe ou trabalho. Como me tornei um produtor rural e não tenho mais colegas deste ou daquele tipo, estou, a princípio, a salvo de ouvir bobagens sobre tais assuntos.
 
Os homens têm uma facilidade natural em classificar as mulheres de uma maneira quase cruel e o obsceno desejo de comentar sobre suas conquistas, verdadeiras ou não, que lançam, às vezes  para sempre, dúvidas sobre a conduta de uma mulher. Lembro-me dos tradicionais churrascos nas empresas, quando os homens se reúnem em meio a fumaça tênue que se levanta da churrasqueira, pilotada invariavelmente pelo funcionário mais popular da organização, ampliando ainda mais o calor infernal que se espalha naqueles ambientes bregas de churrascarias artesanais, regados a muita cerveja quente, gritos incontroláveis de crianças e rodinhas de homens e mulheres cuidadosamente espalhadas pelo recinto.

Ali, os homens, entre um gole e outro de cerveja, vão discorrendo sobre seus assuntos prediletos, enquanto afagam a pança, com as mãos ainda lambuzadas de gordura da ultima picanha devorada. E as coisas acontecem, seguindo um ritual. Primeiramente falam de suas idéias revolucionárias, que aumentariam muito EBITDA das suas empresas, e claro à medida que o teor alcoólico sobe, expressam um profundo desprezo pela alta direção. Logo após, este súbito "estrambote melancólico", a exaltação se dissipa. O espírito anarquista, que haviam incorporado, repentinamente se vai, possivelmente para aproveitar alguma picanha mal passada também, antes que o churrasco acabe. E então eles revelam "todo o irresistível desejo de uma existência de ociosidade sem perigo" e passam a falar de futebol e mulheres.

Mas alguma coisa mudou. Hoje em dia algumas das mulheres mais cobiçadas do país me lembram mais Arnold Schwarzenegger. Sinto que  há uma profunda inversão de valores aí, ou quem sabe, a expressão de um recôndito e latente homossexualismo na alma brasileira.

Mas esta questão não é nova. Groucho Marx, logo que foi lançado o filme Sansão e Dalila, disse que se recusava a ver um filme no qual o mocinho tinha mais peitos que a mocinha.

Não sei exatamente quando começou este novo suposto padrão de beleza feminina no Brasil, não sigo tendências e raramente ou quase nunca vejo televisão, mas quando eu vi me assustei. Será que isto tem alguma coisa com o PT? Mas sem dúvida aconteceu neste período.

O padrão de mulher para mim sempre foi alguma coisa delicada, de formas suaves e que revelam tudo aquilo que nos atrai nelas: a feminilidade. Mas de repente parece que tudo mudou. O que vejo são corpos quase masculinos, com os quadris cada vez menores pelo excesso de esteróides, pois eles aumentam os músculos e reduzem quadris e seios, exigindo cada vez mais mililitros de silicone para dar um toque feminino as mulheres malhadas.

E as coxas, estupidamente grossas, causando um desequilíbrio estético com os tornozelos, em geral finos, dando uma aparência de pirulito às pernas destas mulheres.

Não poucas vezes, ex-colegas de trabalho disseram que fizeram e fariam sexo com travestis e se consideravam muito homens justamente por causa disto. Eu ficava incrédulo e perturbado com estas declarações e então comecei a  perceber que, talvez, o homossexualismo seja bem mais presente em nossa sociedade do imaginamos. Pois tudo é simples, e me corrijam os eventuais sexológos que acessem este blog:
um travesti é um homem e quem faz sexo com homem é homossexual e ponto final.  Mas , quando eu mencionava este fato aos ex-colegas, eu podia perceber neles a surpresa, ou seja,  aparentemente   ninguém se dá conta deste fato.

Aí começo a suspeitar que esta aparente preferência nacional atual por mulheres musculosas, seja a expressão deste homossexualismo latente na sociedade latina.
Na verdade eu não sei se é preferência ou algo que a mídia divulga como sendo. Mas eu imagino que estas mulheres esculpidas a base de  esteróides não fariam isto se isso não fosse objeto de cobiça dos homens.

Nada contra, cada um se resolve como quer,  eu só lamento profundamente que o tradicional padrão de beleza feminina seja cada dia mais substituído pelas Schwarzeneggers tupiniquins. Mas Kafka já dizia que em nossa luta contra o resto do mundo, é melhor ficar ao lado do resto do mundo. Mas, quer saber Kafka que se dane, eu continuo preferindo a mulher tradicional, feminina, frágil e que não tenhamos medo de levar para cama. Na verdade sempre achei as mulheres comuns  as  mais sensuais.  E talvez,  justamente por não possuírem a beleza fria de uma top model,  elas conseguem extrair do próprio ventre uma sexualidade contagiante, que nos fascina e atrai perdidamente.
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domingo, 17 de outubro de 2010

A China na Visão de um Brasileiro Vencedor de Reality Show em Pequim (By Beto De Lucca)

Beto De Lucca
É como se fosse um desenho animado: após horas dentro de uma máquina (o avião no mundo real), de repente acordamos num mundo completamente diferente do nosso. Olhares fixos, muitas vezes estarrecidos, caem sobre nós de maneira incisiva. Com certeza é algo que causa certa estranheza, ao menos a quem não está acostumado a ser o centro das atenções.  Não se trata de um outro planeta, mas sim de um lugar do outro lado da Terra, a China.

Sem passar pela experiência fica muito complicado falar alguma coisa, mas ainda sim podemos arriscar algumas sensações. Logo de cara quando descemos do avião já sentimos os olhares aguçados dos Chineses, em função de sermos Ocidentais e de nos vestirmos de modo significativamente diferente. O fato da abertura comercial ter se dado muito recentemente, ainda existe uma certa “perplexidade” ao se observar Ocidentais nas ruas, principalmente por parte dos pessoas de mais idade. É uma sensação única ser observado dessa forma, e a única coisa que eu fazia quando por vezes me sentia um pouco incomodado, era retribuir o olhar incisivo.

A alimentação me parecia algo que eu tiraria de letra na China, especialmente em Pequim, uma cidade grande. Eu que sempre comi em restaurantes Orientais, especialmente os Chineses, achei que talvez com poucas exceções, poderia comer quase que de tudo. A verdade se mostrou um pouco diferente, pois já no 1º. jantar que tive, quase tive que ir para o hospital.... Como eu adoro comida apimentada, daquela forte mesmo, não relutei em aceitar um prato de carne de porco embebido num molho escuro, bastante oleoso, e “spicy”, como me disseram. O sabor era delicioso realmente, mas com certeza continha além de pimenta algum tipo de erva que me causou um formigamento nos lábios quase que incontrolável. Perdi a sensibilidade normal de toda boca, ao mesmo tempo sentia um forte ardor e não parava de tremer. Tomei coca-cola para tentar controlar a situação, mas não consegui terminar o prato... Depois desta experiência, passei a ser bastante cuidadoso, pois logo percebi que pratos deste gênero eram comuns em praticamente todas as refeições, e às vezes a aparência de um belo camarão ou bife inofensivo, revelava sensações um pouco mais agressivas do que eu estava disposto a enfrentar. Enfim, apesar de tudo isso, eu tenho que dizer que adorei muita coisa: alguns tipos de mariscos diferentes bastante saborosos, cogumelos de inúmeras espécies, macarrão ou “noodles” com molho de carne envelhecido (foi assim que me explicaram), e até mesmo um espeto de besouros bastante saboroso.

Algo bastante interessante que encontrei em Beijing (como Pequim é chamada por lá), foi uma considerável admiração de diversos Chineses que sabiam que eu era Brasileiro. O estreitamento do relacionamento comercial entre o Brasil e a China, a grande admiração do povo Chinês pelo nosso futebol, entre outros fatores, desperta no povo Chinês uma grande vontade de saber mais sobre o Brasil. Eles ficam aguardando que falemos alguma coisa sobre o país, algo que eu fiz inúmeras vezes. Alguns interlocutores se manifestaram quase que extasiados com a nossa conversa, em virtude de tão interessante que eles a consideravam. Na verdade eles ouviam coisas que seriam praticamente impensáveis na China, tais como a descrição de uma churrascaria lotada em São Paulo, ou os acontecimentos bons e ruins que se passam na Praia de Copacabana no Rio de Janeiro, entre outras coisas. Um dos assuntos que mais me chamou a atenção foi quando por algum motivo contei mais ou menos como os adolescentes no Brasil costumam namorar, ficar, etc., e eu pude sentir no olhar de quem eu falava que aquilo era algo muito diferente para eles.

No ambiente empresarial pude perceber também várias particularidades da cultura Chinesa, além daquelas já muito mencionadas quando alguém fala desse assunto (entregar e receber cartão de visita sempre com as duas mãos, evitar usar a cor amarela forte por simbolizar sexo, etc). Notei claramente como a formalidade faz parte do dia-a-dia com os executivos, e que alguns rituais a acompanha. Por exemplo, se um executivo vai fechar um negócio num almoço, todos os chineses irão fumar e beber durante a refeição, e eles esperam que você faça o mesmo. Se você não fuma pode até recusar muito educadamente, mas se não aceitar a bebida o fechamento do negócio estará certamente em risco.

Outra questão interessante é que a percepção de qualidade que os brasileiros tem dos produtos chineses é muito equivocada, em virtude do comércio informal no Brasil importar principalmente os produtos de menor preço e consequentemente de menor qualidade. Para comprovar isso, nada melhor que visitar um dos mercados de produtos falsificados na China. Você verá que a grande maioria dos artigos é de qualidade tão grande que certamente supera a de muitos produtos tidos como “de marca”. E isso vale para roupas, calçados, eletro-eletrônicos, enfeites, artigos de couro, entre milhões de outras coisas. Se o Brasil passasse a importar de forma mais expressiva produtos deste nível, a impressão mudaria de imediato no Brasil. E o melhor: é tudo barato, mas muito barato mesmo. Quer uns exemplos: comprei uma jaqueta de couro de uma marca famosa de motocicletas, a qual custa no Brasil por volta de R$ 1.500,00. Paguei pela mesma jaqueta mais ou menos R$ 190,00. Também comprei uma máquina digital que no Brasil é vendida por R$ 2.500,00, pagando apenas R$ 1.300,00.E só não comprei muito mais porque a cota de viagem permitida pela Receita Federal não é suficiente para matar as minhas vontades.

O volume de negócios entre Brasil e China vem crescendo de forma tão  impressionante, o que claramente mostra que ambos os lados estão aprendendo a superar as diferenças culturais. E eu posso garantir, apesar de algumas situações demandarem um esforço razoável, a recompensa é gigantesca. O enriquecimento ocorrerá para ambos os lados, e eu não falo só do material, mas sim daquele que ninguém nunca mais poderá tirar de quem o adquiriu.

Ah, eu já ia me esquecendo.... eu fui a Pequim para participar do “Absolute Challenge”, a versão Chinesa do reality show de recrutamento de executivos “O Aprendiz”, e tive a felicidade de ser o vencedor. Assumi a gerência internacional de marca de uma multinacional Chinesa com ponto de presença em SP, e ao término de meu contrato voltei pra Uberlândia. Não tem jeito, a paixão pelo Triângulo Mineiro me fez optar por me estabelecer nesta região, aonde após algum período de muito estudo para me formar como terapeuta em Programação Neurolinguística, consegui a autorização para montar a unidade do Instituto Você (www.1234voce.com.br). Foi o amor inexplicável de um paulista que bebeu a água dessa terra, e que não insiste em matar a sua sede sempre que possível neste lugar.

E passados alguns anos, 20 treinamentos “VOCÊ”, 02 treinamentos “DIAMOND”, e 01 curso “Practitioner” depois, estou eu aqui começando do zero na Florida, USA, prestes a lançar o treinamento VOCÊ por aqui. É a combinação de dois sonhos de uma vez, que mesmo com a dor da solidão que sinto por estar longe de tantas pessoas queridas, still keeps me moving!!!   

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Beto De Lucca
INSTITUTO VOCE - Human Training and Development
Miami/FL - USA: 1-954-683-1234
Uberlandia/MG - Brazil: 55-34-323-1234-0

sábado, 16 de outubro de 2010

Cem Dias Após Nascer de Novo (by Rogerio Rufino)

Quando minha filha Kelly tinha nove anos, em um daqueles exames de sangue de rotina que minha esposa obrigava minhas três meninas a fazerem numa pontualidade britânica, foi detectado um baixa contagem de plaquetas em seu sangue. Fizemos então uma maratona exploratória com vários médicos, até que uma renomada médica do Hospital das Clínicas de São Paulo deu seu veredicto particular, sem ter exame nenhum que comprovasse sua tese, pois não eram feitos no Brasil: ela tinha anemia de Fanconi, uma doença que leva a uma falência da medula rapidamente.


- E qual o prognostico desta doença? - Eu perguntei à médica.

- Bem, ela vai viver até os dezoito anos - Disse-me a medica e vidente na frente de minha filha e esposa.

Inconformado com o diagnostico eu pesquisei na Internet, que estava em seus primórdios e percebi que minha filha não tinha nenhum sinal característico daquela doença e encontrei e entrei em contato com uma especialista em Nova Iorque, a qual me pediu amostras do sangue dela para análise. Algum tempo depois de enviado o material veio o veredicto: não era anemia de Fanconi. A médica vidente errou e aprendi que, às vezes um médico irresponsável quando não mata um paciente de fato pode matá-lo de susto.

Tirando esta anomalia de contagem de plaquetas baixas, minha filha tinha uma vida normal e lembro-me que, todas as tardes, ela me esperava, para as nossas tradicionais cem voltas na piscina, coisa que ela sempre conseguia e eu não.

Certa noite eu estava em meu computador  pesquisando na net e uma súbita idéia me ocorreu e no mesmo instante fiz um projeto de uma página para a diretoria da empresa que eu trabalhava, para que eu morasse dois anos nos Estados Unidos para desenvolver novos negócios e produtos dali. Apresentei o projeto à diretoria da empresa, que pediu um tempo para decidir. Aquela idéia repentina, de fato, não teve nada a ver com o problema de minha filha, pois nesta época ele permanecia hibernado, pois ela tinha uma vida normalíssima.

O tempo foi passando e eu nem lembrava mais daquele projeto, que era incomun,  até que um dia meu celular tocou e uma colega de trabalho, Eleni Silva, disse-me, que tomou conhecimento do meu projeto e conversando com a diretoria da CTBC, ela os convenceu que minha ida para os EUA seria benéfica para empresa e que além disto eu teria a oportunidade de avaliar junto aos médicos americanos esta anomalia da Kelly. O nome desta empresa é CTBC, que pertence ao Grupo Algar e que sempre figurou entre as melhores empresas para se trabalhar no Brasil

Já temos aí dois fatos isolados e insólitos: o primeiro meu súbito pensamento de desenvolver os projetos, direto dos EUA e o segundo a intervenção da Eleni, que era uma colega de outra área e que eu tinha pouco contato. Hoje acredito que foram coisas orientadas por alguma força maior que já mencionei num outro artigo: Mas quem é este que caminha ao seu lado?

Curiosamente, dois anos antes deste fato, eu havia ficado em Reston, na Virginia próximo a Washington por três meses, num treinamento na Sprint. E assim que houve a decisão de minha transferência entrei em contato com a médica de Nova Iorque para me sugerir um local que eu também pudesse investigar o problema da Kelly. E ela disse, só há um, o NIH de Washington, O Instituto Nacional de Saúde, um dos centros mais avançados do mundo em pesquisas médicas.

Já estamos na terceira coincidência, pois isto nos facilitou tremendamente nossa mudança para um novo país, já que era um lugar bastante conhecido. Isto foi no final de 1997 quando mudamos para uma cidadezinha Rockville, a trinta minutos do NIH.

Alí ela foi submetida a todos exames possíveis, e nada foi diagnosticado, exceto a evidente aplasia medular, o que significa que sua medula óssea era hipocelular e portanto produzia poucas células sanguíneos e a medida que ela ia crescendo, seus números de plaquetas, glóbulos vermelhos e brancos ficavam abaixo do limite mínimo da normalidade. Mas com um remédio fornecido pelo NIH, seu exame de sangue logo se normalizou, menos as plaquetas, mas estas ainda estavam numa quantidade satisfatória.

Lembro-me de uma conversa com o médico do NIH, um dia antes de nossa partida dos EUA em dezembro de 1999. Perguntei a ele:

- Em sua opinião quanto tempo este remédio vai funcionar ainda?

- O que temos verificado é que podemos estimular a medula por até quatro anos mas a partir daí ela chega a exaustão e tende a falir rapidamente.

- E então, quando isto acontecer o que faremos? - eu perguntei

- Infelizmente pouca coisa, podemos tentar um transplante, ela já está cadastrada no nosso banco, mas é preferível que ela encontre um doador brasileiro, pois transplantes com doadores de etnias diferentes são ainda mais problemáticos. E o melhor para ela, é que ela faça o transplante no Hospital das Clínicas de Curitiba, um centro de excelência mundial nesta área – Respondeu-me ele.

Foi uma notícia dura, Kelly estava junto e naquela época os transplantes eram ainda mais traumáticos que hoje e aquele dia foi muito difícil, mas lembro-me de uma conversa com minha esposa. Naqueles dias havia morrido o Luis Eduardo Magalhães Filho, que estava sendo preparado para ser o próximo presidente do Brasil. Uma simples corrida matinal, um enfarto fulminante e uma vida se foi. Então eu percebi que vida era imprevisível, era o caos total e que o ser humano não tinha o menor controle sobre seu futuro. Então tudo se tornou mais fácil, pois o melhor da vida é a incerteza do amanhã pois um futuro previsível é algo assustador.

Kelly, como tudo em sua vida, estava destinada a nos surpreender. Ela conseguiu com sua força e fé, fazer com que sua medula continuasse produzindo por mais de dez anos, após aquela conversa com o médico do NIH, um bonus extra de seis anos. E então no início deste ano, tomamos a decisão mais difícil em nossas vidas e na vida dela principalmente. Em uma visita ao HC de Curutiba em maio deste ano, após a Dra. Carmen explicar pacientemente para Kelly os riscos e benefícios do transplante, Kelly decidiu fazê-lo o mais breve possível e para sua sorte, eles encontraram vários doadores 100% compatíveis para ela e puderam se darem ao luxo de escolher o mais adequado.

A quarta e incrível coincidência, na hora certa o doador estava disponível, mais do que isto, havia mais de uma doador. Estes heróis anônimos, que nunca saberemos suas identidades, mas que são heróis, justamente por salvarem outras vidas. E não há realização maior para um ser humano: poder salvar a vida de alguém ou de várias pessoas.

O transplante aconteceu em oito de julho deste ano e no artigo Torrente de emocoes eu fiz a descrição daquele que foi o dia mais difícil de nossas vidas.


Felizmente tudo ocorreu bem com a Kelly, mas neste período tivemos a tristeza de saber de alguns transplantados que não resistiram. Algumas pessoas sequer chegaram ao transplante, perderam suas vidas antes, pois doadores compatíveis não foram identificados a tempo.

Infelizmente, doadores de medula ainda são poucos no Brasil e na verdade isto é uma garantia para todos nós, pois a cada 100 mil pessoas, apenas uma será compatível com você e como eu disse, a vida é imprevisível e o transplante de medula se tornou a salvação para muitas doenças: leucemias, hepatites anemias congênitas e adquiridas e  outras.  Até mesmo um relato de aids eu vi, ser curado com o transplante. Uma colega de quarto de milha filha, adquiriu uma anemia aplástica por manusear produtos de tintura de cabelo, no salão de beleza em que trabalhava. Na verdade qualquer produto feito a base de derivados de petróleo pode causar anemia aplastica, assim como inseticidas, herbicidas e até remédios. A tradicional aspirina é um supressor de medula, embora não haja comprovação que ela cause anemia aplástica. Mas o fato é que, um paciente com anemia, jamais pode tomar uma aspirina.

Para se cadastrar como doador é simples, Você vai até o hemocentro de sua cidade e eles coletam uma amostra de seu sangue e colocam os dados de sua medula no Redome, que é o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea .

Seus dados ficam armazenados num banco de dados do Redome e quando você é identificado 100% compatível com algum paciente a ser transplantado, eles te contatam para verificar se você está apto e ainda quer fazer a doação, que consiste na retirada de alguns ml de sua medula óssea, normalmente uma punção feita na região da bacia.

Atualmente são realizados muitos transplantes com cordões umbilicais, que na maioria dos países são coletados tão logo cada criança nasça. No Brasil os cordões umbilicais ainda na sua maioria, viram lixo hospitalar. Na realidade, vidas estão sendo atiradas ao lixo, pois alguém pode estar morrendo por falta de um cordão daquele que contém as células-tronco, que conseguem se reproduzir, duplicar-se, gerar outras células com iguais características e diferenciar-se, ou seja, transformar-se em diversas outras células de seus respectivos tecidos e órgãos. Assim as células daquele simples cordão umbilical, após serem injetadas na veia do paciente, vão caminhado até  se alojarem no interior dos ossos do paciente e ali se reinicia o milagre da diferenciação, elas por algum mistério, da natureza,  começam a produzir plaquetas, glóbulos brancos e vermelhos e uma nova vida se inicia.

Morremos uma vez só, mas um transplantado de medula óssea nasce duas vezes. Minha filha agora tem cem dias de uma nova vida e daqui um ano vai tomar todas aquelas vacinas que tomamos quando somos crianças.

E o milagre de um transplante é algo maravilhoso. Minha filha nos últimos meses antes do transplante já se cansava facilmente, e não podia mais fazer muitas atividades que gostava, como dançar, rapel, etc.

E exatamente um mês após a infusão de sua nova medula eu saia para caminhar com ela pelas rua de Curitiba, e ela simplesmente me deixava para trás nas ladeiras íngremes perto do estádio do Curitiba onde ela está morando ainda. Achava aquilo um milagre formidável e ficava feliz por ser largado para trás por minha filha.

Para que ela se distraísse nos dias que ficou internada, eu criei um blog para ela  que acabou se tornando popular pois ela se comunica muito bem e está desenvolvendo um trabalho atualmente, com o objetivo de ajudar futuros transplantados e conscientizar as pessoas para a necessidade da doação. Foi descoberta, através do seu blog por duas emissoras afiliadas da rede globo que já a entrevistaram, uma de Uberlândia outra de Curitiba.

Sua única reação nestes cem dias,  foi uma espécie de alergia de pele, que não vou explicar neste artigo que já está grande e cansativo e que por causa disto teve que tomar corticóides que engordam por reterem líquido. Outra queixa é que ela não pode usar ainda as tinturas de cabelo e por ter já alguns cabelos brancos, ela toda vez que faz um vídeo coloca sua boina che guevara. Graças a Deus, são problemas menores e de vaidade apenas. 
 Blog Da Kelly
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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Portugal, Amor a Primeira Vista - Texto de Ir. Selma Cristina (Portugal)


Irmã Selma Santos
"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram,
mas na intensidade com que acontecem
Por isso existem momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis
 e pessoas incomparáveis"

         Tudo começou a dezesseis anos atrás quando pela primeira vez meus pés pisavam as terras lusas, confesso o medo da viagem, o receio de tantos quilómetros, o inesperado, o novo, tudo desvaneceu à primeira vista do nascer do sol beijando as águas do Rio Tejo sob a linda ponte 25 de Abril, foi amor à primeira vista, meus olhos queriam gravar tudo na retina ao mesmo tempo não sabia para qual lado olhar, e o abraço acolhedor do Cristo Rei, a melhor das acolhidas, fiquei rendida à beleza de Lisboa, “cheira bem, cheira Lisboa.”
         A alma cantou com Camões os Lusíadas tão estudado e esmiuçado no Curso de Letras, juntar a teoria com a prática foi lufada de conhecimento no ser, foi rever a epopeia lusa em meio a tantas conquistas, me vi mergulhada naquela história imensa de navegadores, literatura, cultura, conhecimento, conquista do mundo e rastros deixados da alma lusa em cada canto do planeta.

         Portugal tornou-se meu segundo teto, minha terra, meu povo por adoção, descobrir a língua com seu jeito original, de onde derivou a minha, aprender o jeito, sentir novos sabores, ver tradição em cada canto, aprender um mundo novo enamorou meu coração. Cada terra uma história, cada nome uma razão, cada brasão uma família, cada português mais um irmão, estar em Portugal é estar em casa, minha segunda casa, meu povo irmão.

         Não tardou nada, só o tempo preciso, para me tornar portuguesa também, ainda por defeito não sei apreciar como deveria a gastronomia, mas me adaptei bem dentro dos padrões normais, sou apreciadora dos bons vinhos, das vinhas que embelezam os campos por ocasião das vindimas, das oliveiras que dão às encostas aquele ar de pertença, de generosidade e verde esperança. Pisar em solo português, é como chegar na casa de um amigo querido, de gente boa e fé em Deus, é ver com olhos maravilhados o dourado das Igrejas, o capricho pelas coisas do Divino, é extasiar-se diante dos Mosteiros, ricos em cada detalhe, em expressão do belo e do eterno. Cada beleza natural diz da preferência de Deus Criador por derramar em cada cantinho de Portugal toda Sua inspiração criativa, a natureza engalanada se apruma e mostra o que ela é capaz, beleza e encanto.

         Descobrir o fado, o ar especial da Baixa de Lisboa, a delícia sem palavras dos pastéis de Belém, tomar um café na esplanada na Rua Augusta, subir às ruínas do Castelo de São Jorge, e perder o fôlego com a vista, isso é Lisboa, cheiro à vida, à gente querida, ao passado reescrito no agora, Lisboa é Fernando Pessoa, é poesia, é calor mesmo no frio com as castanhas assadas, é história que continua em cada rosto que dá colorido à essa vida lusa.

         Obrigada Portugal, simpatia e norte a sul, de calor humano e rostos também sulcados pelas lidas da vida, mas com uma esperança enorme no coração, rendi-me aos seus encantos, e sei que meu coração verde-amarelo, também se pinta de verde-vermelho e sabe apreciar o que de maravilhoso Deus fez por nós, Brasil e Portugal terras abençoadas com o privilégio da paz.

         Minha alma sem fronteiras, é mais feliz porque sabe o valor que a vida tem, um beijo amigos, vivamos cada momento como o mais precioso de todos, no agora SOU FELIZ!  
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terça-feira, 12 de outubro de 2010

Neuro-Linguistic Programming (NLP) - text by Beto De Lucca

Beto De Lucca
What a tremendous resource NLP is when working with clients and coachees! When you have this plethora of skills and techniques to draw from, it is easy to help clients. Experienced NLP Practitioners know what to use from their tool kit that will work. That continues to be true in my experience. Often I get Coaches who want to learn the NLP skills, because while they have the certifications and certain skills, they think they don't have enough resources to coach effectively. 

While we have many choices we don't tell our clients, "take 3 swish patterns, a visual squash, 1 change history and call me in the morning." There is so much more to working with clients than a technique or two. 

For example, I recently had a client with a lifelong phobia. I could have gone right to the fast phobia cure, but I followed Richard Bandler's words from long ago... "in client work 97% is gathering information, 2% is the actual change work and 1% is collecting the fee." 

So I paid attention. The client's language went like this repeatedly, "I would like to control MY fear, MY panic attacks when facing MY phobia. I would like to be I control of MY phobia" When using this language her images were multiple, very close and huge. She was surprised that she created the terrifying pictures with her use of language. I began to shift the language from my to this to THAT fear and away from "phobia" as well. Shifting the language created distance and was a verbal and visual swish pattern. As she began to model my language, I could see her pictures move off into the distance and get smaller, as her response became less intense and then indifferent. 

This verified my belief that most change takes place on a linguistic level and sensory acuity is the key to doing effective client work. Be aware. LISTEN to your client/coachee. As Richard Bandler has often said the client will tell you what they need. 

My work was almost done. But not yet. We anchored it in with another version of the fast phobia cure and of course hypnosis. I just wanted to stack the deck in her favor. Upon testing, it was gone. One more phobia bit the dust! 

Even when I teach NLP, we spend more time on language and teach the techniques toward the end of the course. Using Hypnosis also serves to anchor in the new behavioral pattern. 
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Beto De Lucca
INSTITUTO VOCE - Human Training and Development
Miami/FL - USA: 1-954-683-1234
Uberlandia/MG - Brazil: 55-34-323-1234-0

Reencontro - Texto de Maria Edith F. A. Rufino

Maria Edith Rufino
A medida que o tempo passa, quando se está longe de casa, mais aperta a angustia e a vontade de rever as pessoas que amamos. 

Hoje conversei via vídeo conferência com meus irmãos, minha mãe e uma afilhada. E a medida que os via ia passando um filme na minha cabeça, suas vidas, seus medos, o mundo de cada um. E por mais que eu quisesse simplesmente deliciar com aquele momento, não conseguia somente vivê-lo, queria tocá-los; e a lembrança de festas, as conversas jogadas fora, as risadas, ecoavam em minha cabeça como um sino que tilintava incessantemente, mas ao mesmo tempo tudo era leve como o orvalho do céu. Uma bênção.

Quando desligamos, subitamente voltamos a realidade. 

Mesmo que o nosso agora, também seja uma bênção do céu, a ausência das pessoas amadas nos deixa frágeis, nos torna carentes e tudo é pouco. Já não basta conversar, precisa tocar, precisa sentir.

Porem já vivi esta experiência antes, e quando estamos sozinhos, inconscientemente vamos voltando pra dentro de nós mesmos, numa busca insensata do que não se perdeu, porém achamos por vias aparentemente tortas, coisas novas dentro da gente, por exemplo a capacidade de reinventar, de redescobrir.

A primeira vez que experimentei tais sentimentos vi que a distância dos que amamos dói, machuca e foi, como hoje, igualmente insuportável.

Depois de algum tempo a saudade não flui no espaço, mas ela acalma e nesta mesma medida o coração e a mente voltam a pulsar compassadamente. Você adquire novos hábitos, conhece novas pessoas e assim forma-se novos círculos de amizade e conhecimento. E vemos pouco a pouco a vida seguir o teu curso.

Nada parou, nada ficou estagnado, apesar de todas as dores. 

Até que, ao revê-los, você  sente que o sangue explode em suas veias jorrando pelos seus poros, e o que estava adormecido, finalmente naquele abraço, se revela. 
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domingo, 10 de outubro de 2010

Momentos Bucólicos - Texto de Maria Edith F. A. Rufino

Maria Edith Rufino
Em alguns momentos de nossas vidas, a razão, a constatação manda que você cante, louve e acima de tudo, agradeça muito! Tenho feito isso sim. Porém inevitavelmente nos pegamos a olhar o infinito numa melancolia sem fim. Isto acontece quando a tristeza invade a alma e por mais que a razão te arraste de volta ao que importa realmente, alguma coisa flui na direção oposta. E esta briga entre razão e emoção te desgasta de tal forma que se você não tem um Deus presente a sua vida, onde suas portas estejam sempre abertas pra ELE, mesmo estando neste infinito perigoso, ou uma família que te embale, tudo fica obscuro e cinzento.

Porém como lutar contra este emaranhado de sentimentos quando vc se encontra num momento delicado, onde vc tem que manter uma atenção continuada em tudo que faz, mas sua alma (será a alma?) quer deslizar por ai, sem pensar, sem hora marcada. Hoje quando li o artigo da Irmã Selma "A primavera toda numa flor" neste Blog,  ele me tocou muito e não soube o que escrever, porque de verdade, gostaria de deslizar numa caixa de papelão, gostaria muito, mas acho que a criança em mim ficou em um tempo que já não me lembro mais.

Chorei muito neste momento, porque esta criança tem que existir, mas acho que algumas pessoas nascem pra fazer o que têm que fazer. Não que as pessoas que sabem sonhar não façam, elas fazem e muito, talvez muito mais que outros. Porem meus sonhos, por algum motivo, em determinado momento da vida se perderam.


Fiz uma viagem pra dentro de mim mesma e percebi que eu me permiti isto e em outras circunstancias não tive alternativa, a não ser, ser adulta em tempo integral. Percebi ainda que nossa vida, após muitos anos, vai se tornando um circulo vicioso, pois quando nascem os filhos, a gente deixa de existir um pouco e passa a viver mais em função deles do que de nós mesmos. Mas me pergunto, se tivesse feito diferente, será que hoje teria filhas centradas, encaminhadas e preparadas para o mínimo da vida? Não sei. Onde seria o ponto de equilíbrio desta missão? E nossos maridos, os homens de hoje já estão preparados para o auxilio na jornada da mulher?

De qualquer forma, esta jornada sempre será maior, pois a mulher vê o corpo mudar, passa por varias dádivas de Deus só a elas concedidas, porém nem sempre compreendidas por todos.

Este é um assunto comum, aparentemente, porém sem solução, porque a vida tem que continuar. E haverá sempre quem saiba celebrar, porém para mim a celebração só acontece quando há um conjunto em harmonia. Neste momento sinto que grito, mas não há eco, não há socorro. Tudo isto é estúpido demais, seria inconfessável anos atrás, hoje já não me importo. Não sei se estou só nesse emaranhado de sensações ou se existem mais mulheres que por algum momento se sentem assim, de qualquer forma, escrevendo, sinto que meu grito é maior e talvez ao esvaziar os pulmões também consiga encontrar a paz, a harmonia e até aquela caixa de papelão para que eu deslize por ai.
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A Primavera Toda Numa Flor - Um artigo de Ir. Selma (Portugal)

Ir. Selma Cristina Santos, Lisboa

Eu creio em Deus como o MELHOR DA MINHA VIDA, eu creio no amor como a  força que nos move, eu creio em meu irmão que caminha a meu lado, eu  creio na vida como o momento mais belo, eu creio em você que faz a minha  vida mais feliz. DEUS  NOS AMA!!!


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A PRIMAVERA TODA NUMA FLOR
MISTERIOSO E BELO TEMPO DE CRIANÇA
FICAR SONHANDO DE SER GRANDE, SER DOUTOR,
SABOREAR NAS MÃOS DOS PAIS A CONFIANÇA
VIVER A PRIMAVERA TODA NUMA FLOR.”
      Me veio à memória, como num arquivo muito lon-
gínquo, essa querida canção das minhas quadras infantis
e busco como garimpeira em meio a tanto cascalho que
a vida vai juntando, seu mais profundo sentido.
      Impressiona-me como perdemos tão precocemente a inocência infantil, o entusiasmo pelas coisas simples, o contentamento com o que é pouco. Como era gostoso deitar nas tardes de verão no quintal lá de casa com a grama a roçar nosso corpo, e o olhar mirado para o céu fazer das nuvens o que nossa imaginação mandasse, nos sentíamos grandes por dentro senhores dos nossos sonhos, donos do nosso momento, adulto não entrava na nossa brincadeira por falta de tempo e sensibilidade, éramos felizes nos nossos castelos.
“UMA GOTINHA DE ORVALHO ERA UM BRILHANTE
A PROFESSORA MAIS QUE UM GÊNIO DE ALADIM
O QUINTALZINHO DA VOVÓ MAIOR QUE A VIDA
A IGREJINHA UMA CATEDRAL PARA MIM.”
      Sou uma sonhadora, por vezes acredito que nossas atitudes seriam tão diferentes, se dentro da gente a nossa criança brincasse mais e acreditasse na felicidade, não é a falta de maturidade na vida que amordaça essa força pueril de nosso interior, é o homem velho, rancoroso e sem expectativa que vai matando esse gosto pelo bom, pelo belo. Vivemos num medo frenético, num mal que assalta, o outro tornou-se para mim num potencial agressor, não sei mais ser simples nas conversas, naquele jeito da criança que desarma e encanta, sem elaborar frases pré-fabricadas para convencer ou se sair bem nas situações. Envolvemo-nos numa espécie de casulo para que nossa segurança não seja ameaçada e o outro não perceba minha fraqueza, porque minha fraqueza pode ser minha ruína e meu fracasso…tanto tempo perdido em disfarces, máscaras inúmeras, e papéis que representamos tão bem, morre sufocada a criança vivaça que pula dentro em nós, tenho de ser como os demais permitir uma gota de ternura é armar-se em retrógado, ultrapassado, sem ambição.
      E seguimos assim conformados com essa fórmula artesanal e sem variação, o mundo é assim tenho de ser, parece que a porta se fecha atrás de nossas costas e a gente faz adormecer no baú das recordações nossa criança de olhos ingénuos, serena e despretensiosa, seguimos o curso da nossa existência.
      Ter a primavera toda numa flor, é ter a coragem de voltar em nosso porão interior e resgatar em algum lado a criança empoeirada e adormecida, é dar-lhe oxigénio, colírio nos olhos, enchê-la de colónia com cheiro de flor do campo e trazê-la à tona, como a vida passa a ser diferente. A chuva na terra tem um perfume indescritível, ver um passarinho se divertir numa poça d’água faz a delícia do momento, ver o arco-íris depois da chuva é um quadro mágico, e…partir uma maçã na horizontal já experimentou? Em seu centro vemos nitidamente uma estrela toda riscadinha com pedrinhas de sementes…quando redescubro esses pequenos valores meu coração exulta como se fosse uma descoberta da física e eu poderia ser uma forte candidata ao Nobel da feliz existência, custa tão pouco ser feliz.
“A GENTE CRESCE PARECE FECHAR-SE A PORTA
DESSE PAÍS AONDE O SONHO TUDO ALCANÇA
POR ISSO HOJE UMA COISA SÓ IMPORTA
DEIXAR O CORAÇÃO DE NOVO SER CRIANÇA.”
      Tenho feito essa experiência fantástica a uns tempos atrás, vibrar com tudo o que é pequeno e meramente aos olhos de todos “insignificante”, outro dia ouvi uma coisa muito engraçada que nunca havia pensado, qual é o momento exato em que surge a casca que envolve o ovo da galinha? Você sabe me dizer??? Achei extraordinária a pergunta, e qual será a próxima oportunidade para ver uma gota de orvalho amanhecer na grama do meu jardim e derreter-se sob o carinho do sol parecendo um diamante invejável? Posso não ter outro amanhã, posso ser cego mesmo enxergando, posso ser manco mesmo andando…eu não quero perder momentos de luz, quero descer escorregando um morro sentado numa caixa de papelão desmanchada pensando que estou na Disneylândia, quero sorrir muito e fazer feliz, eu passo tão rápido, não quero chegar ao fim sem ter ao menos a alegria de ter acordado a tempo o meu pingo de gente interior, não custa nada vamos tentar ao menos apreciar um pôr do sol? Sinta…depois algo em nós fica diferente, ria bastante, pisa descalço no chão e tome um bom sorvete de chocolate, existem pequenos prazeres que fazem toda a diferença. Um beijo e boa volta de carrossel!!! 
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terça-feira, 5 de outubro de 2010

As Aventuras de Marina I. Jones na Amazônia - Os Vampiros de Brasilia (Cap. 9)


Em sua luta apaixonada com o destino, nossas intrépidas aventureiras, Marina Jones e Freira Selmurai, regiamente pagas pela CIA e pela Fundação Bill Gates, continuavam  exaustas, perenemente audaciosas e fortes em sua missão de salvar o Brasil das garras impiedosas dos últimos remanescentes do saudoso Conde Vlad Drácula, famoso aristocrata romeno e empalador bem sucedido de campesinos e apreciador juramentado da bebida mais tradicional em seu pais, o sangue de jovens camponesas.

Mas coisas andavam cada vez mais complicadas. Viviam numa luta desigual, fugindo da cruel perseguição dos numerosos seguidores do Conde Vlad no Brasil, todos muito parecidos, barbicha Che Guevara, mau humor indescritível e a tradicional camiseta vermelha, simbolicamente manchada com o sangue dos camponeses nordestinos e de outras regiões pobres do Brasil, que haviam sido iludidos com espelhinhos, bolsas famílias, em troca de suas almas, de sua dignidade e, naturalmente, de seus votos. Provavelmente seus últimos votos.
 
Siceramente espero que o amigo e sonolento leitor, que ainda não tenha fechado os olhos para sempre para esta saga, mesmo porque isto, de acordo com o Ministério da Sáude,  pode fazer mal a saúde,  se lembre que no ultimo episódio da saga, nossas aventureiras se meteram numa viagem no tempo em technicolor and sound surround, visitando o Brasil em 2013, três anos após a vitória da Camarada Dilamanosviski, descendente direta do sanguinário Conde Vlad, nas ultimas eleições presidenciais.

Pois bem, desesperadas com o que viram, retornaram para tentar EVITAR o mal maior. Fugindo desesperadamente de seus algozes que, como zumbis de um trailer de Michael Jackson, as perseguiam dia e noite, nossas aventureiras, mais uma vez se embrearam na mata amazônica. E como, em "Cem Anos de Solidão", a atmosfera estava tão úmida que até os peixes nadavam entre as árvores, o que, provocou o seguinte comentário da Irmanzita Selurai:

- Ai Zizuis! Bacalhaus voadores! Vou a pegare!

Claro, os bacalhaus na verdade eram piranhas assassinas, deixando nossa mini aventureira da Toys Store, toda retalhada, o que exigiu a pronta intervenção de Mis. Jones, que com sua agulha de costurar redes nordestinas, prontamente fez os reparos necessários na desastrada representante do baixo prelado mirim.

Até que o resultado ficou bom, exceto talvez pelo fato do rosto de nossa aventureira e mini jockey, passar a apresentar um sorriso permanente, o que posteriormente levou seus superiores a levá-la a julgamento no Vaticano por suspeitas de uso indiscriminado de Botox e formação de quadrilha junina. A última acusação não tinha nada a ver, mas, o leitor amigo já viu algum indivíduo ir a julgamento por um delito só. Claro que não: um pobre coitado que furta uma galinha para comer, se descoberto, vai receber provavelmente as seguintes acusações:

Latrocínio seguido de estupro; atentado violento ao pudor; formação de quadrilha desorganizada; pedofilia com animais menores e tráfico de animais silvestres sem guia do Ibama.


Se o infeliz for absolvido não vai resolver muito pois, estará irremediavelmente maluco ao sair do tribunal de pequenas causas e pequenos animais.

Mas enquanto nossa pequena aventureira não caia nas garras do Vaticano, elas partiram para sua missão quase impossível, encontrar um meio de livrar o país da herdeira do Conde Vlad.


Irmã Selmurai acionou seus contatos no Vaticano, mais especificamente no serviço secreto, uma entidade off-shore, situada naquele paraíso fiscal.

O resultado foi assustador e previsível:


Teriam que partir para conseguir ajuda do famoso Doutor Van Helsin, caçador de vampiros oficial dos filmes de Hollywood e que começou fazendo ponta num pequeno e famoso romance de Bram Stocker sobre o terrível Vampiro da Transilvânia.

O tal Van Helsin, era uma figurinha difícil que morava na Holanda, o que obrigou nossas aventureiras a estabelecer uma rota de fuga suicida e alucinada, que não possibilitasse aos zumbis do candidato Resident Evil desvendar sua ação estratégica to secret.


Primeiramente elas embarcaram num destes barcos superlotados de pessoas e redes que cruzam o rio amazonas e que naufragam no final da viagem, por superlotação.

A freirinha Toys"R"Us, assim que se acomodou na sua redinha improvisada, feita com o mata-moscas do capitão do barco, sacou seu notebook e acessando o facebook, adicionou mais de 300 amigos novos de uma só vez e postou mais de 100 mensagens com rosas virtuais.


Em seguida, pegou seu diploma amarelado de datilografia e pendurou-o na parede ao lado e começou datilografar furiosamente mais um artigo para um blog anarquista do qual ela se tornou colaboradora free lancer and free of payment.


Ia teclando alucinadamente como Carlitos em Tempos Modernos e quando o cursor atingia o final da linha, ela dava um tapa no notebook, para mudar de linha. Fez isto algumas vezes e então se empolgou, possivelmente havia chegado ao clímax do seu artigo e deu um tapa tão forte no seu notebook que ele voou acima das redes dos capiabas indo mergulhar nas águas barrentas do Solimões.

Nossa aventureira não teve dúvidas, mergulhou num átimo com diploma e tudo atrás de seu notebook, que já estava algumas dezenas de metros abaixo nas escuridões abissais do rio amazonas.


Mas uma alma generosa como a da Irmã Selmuraimirim, foi resgatada pela rede atirada pelo capitão para pegar uns peixinhos pro seu jantar. E ao puxarem a rede de volta ao barco, entre dezenas de bagres cegos, algumas bolsas família com retrato da candidata oificial, atiradas de algum avião do governo para os ribeirinhos, 2 camisas do Corinthians, 3 lideres do MST que estavam caçando botos cor de rosa em extinção e um pedaço do bigode do Sarney estava nossa freirinha agarrada ao seu precioso notebook.


As aventureiras ao chegarem em Manaus, alugaram um avião de fabricação nacional de uma empresa publica de transporte aéreo do gobierno, para despistar a turma da Zumbilândia.


Entraram com dificuldade na aeronave, usando as escadas de cordas que pediam das portas da fortaleza voadora. O interior da aeronave era espartano. Devido a uma licitação fraudulenta e superfaturada, foram instalados bancos de praça pública, feitos de cimento, para acomodar os passageiros. No teto da aeronave, lampiões a gás davam um toque de especial de romantismo, ao espalhar uma luz cadavérica, como que vinda do além sobre os assustados passageiros.


Nas asas da aeronave pendiam duas modernas turbinas, compradas numa licitação suspeita para a usina hidrelétrica de Tucurui. Por um pequeno erro, foram adquiridas duas turbinas adicionais que ficaram anos em algum depósito do gobierno até que algum burocrata teve a feliz idéia de reaproveitá-las na sucata aérea governamental, o que provocou uma série interminável de comerciais do governo na TV, mostrando que, nunca na história deste pais, se cuidou tão bem do dinheiro do povo.

Nada se perdia, tudo era reaproveitado, neste caso, especialmente nas asas do jatobrás, o orgulho da industria aeronáutica brasileira, o melhor avião projetado por brasileiros desde o saudoso 14 bis.


Bem, logo que a tripulação entrou na aeronave, olhando seus relógios para ver se não estava na hora de bater o ponto e ir para suas casas, para o conforto do lar, a aeronave começou a se mover lentamente pela pista. Deu uma paradinha e o capitão acelerou ao máximo as turbinas, enquanto consultava mais uma vez seu relógio. As turbinas urraram como um velho urso, fazendo com que a aeronave cantasse os pneus como um Chevette turbinado, outro orgulho da industria nacional.


Dos quatro escapamentos kadron, instalados cuidadosamente sob os pára-choques da aeronave com vistosas placas brancas do Detran, jorraram uma fumaça preta que lembrou o recente vulcão na Islândia. Apesar dos barulhos e das explosões que aconteceram repetidamente nos escapamentos e que atearam fogo nas florestas às margens do aeroporto, o bravo avião nacional decolou para mais um vôo cego.


Passados alguns minutos, vários pára-quedas foram vistos se abrindo próximos ao orgulho aéreo nacional. Como já eram 5 horas, a tripulação de funcionários públicos saltou da aeronave, para bater o ponto e se mandar. E o calhambeque nacional voador seguiu viagem conduzido somente por um nordestino boa praça, conhecido por PA, carinhosamente apelidado de Piloto Automático genuinamente tupiniquim pela tripulação pára-quedista.


Com seu espanador, ele ia limpando cuidadosamente os instrumentos do painel da aeronave, composto por três relógios de parede, sendo um de cuco e um velocímetro de um fusca 68, enquanto lá fora as turbinas urravam com fervor patriótico.

Rogério Rufino copyright ©.