Marina I. Jones Os Executivos Aventura Humana Tecnologia Mundo Rural Colaboradores

sexta-feira, 8 de abril de 2011

A Evolução nos Treinamentos de Executivos - Série: Os Executivos Cap. 19 - (by Rogério Rufino)

O RH ou Recursos Humanos  vem ao longo dos anos assumindo uma importância cada vez maior dentro das organizações. Mas isto nem sempre foi assim. Antigamente ele era comparado ao Apêndice do ser humano. Um órgão cuja única finalidade conhecida era se infeccionar e mandar o pobre infeliz para a mesa de cirurgia. Depois se descobriu outras utilidades como, aumentar a receita dos  profissionais de saúde, e à vezes, das funerárias. Hoje, sabe-se uma de outra  função, que é o de provocar o crescimento de bactérias benéficas para o nosso organismo.

Da mesma forma, o RH vem evoluindo desde o seu surgimento nas mais priscas eras da humanidade, quando seus profissionais se limitavam a aterrorizar e torturar os pobres escravos. E ao longo da história podemos acompanhar esta evolução e sua consequente  humanização.

Os profissionais de RHs mais primitivos eram  conhecidos como carrascos, mas logo vieram os upgrades, e evoluíram para operadores de guilhotina, torturadores da Inquisição. Esta fase, que ficou conhecida como a época de ouro do RH, teve seu clímax na Gestapo de Hitler, e desde então o RH nunca mais foi o mesmo.

Nascia o RH New Age, assumindo uma forma meticulosamente lapidada e politicamente correta. Com advento da economia da terceira onda, das empresas de serviços, o brutal RH de outrora transfigurou-se ainda mais, assumindo contornos angelicais, sendo invariavelmente liderados por profissionais do terceiro sexo. Aliás o terceiro sexo no RH já está em primeiro lugar.

Várias vezes neste Blog, já mencionamos atividades do RH e para não variar, desta vez iremos falar na evolução dos treinamentos dos executivos, pois para os demais funcionários não existe evolução, marca-se cursos técnicos e pronto.

Mas com executivos a coisa é diferente, é uma frescura sem limites. No princípio os cursos eram bem espartanos, muita teoria  com uma ou outra dinâmica de grupo, discretíssimas.
Mas lá pela década de 90 apareceram as primeiras novidades e sem duvida a mais chocante foi:

A Biodança

Criada por um  antropólogo, psicólogo e bambi chileno, esta praga do Nilo fez a cabeça e o corpito de muito teóricos do RH de Pindorama há uns 20 anos. Denomina-se dança da vida, talvez por influência da dança do ventre, a diferença é que  a dança do ventre é praticada por mulheres bonitas e sedutoras e a biodança por qualquer um, incluindo marmanjos barbudos e barrigudos, que produzem espetáculos tristemente lamentáveis. Infelizmente todo e qualquer funcionário das organizações mais respeitadas daquela época tiveram que passar por este vexame. 

Usei de todos os expedientes possíveis para escapar da tal biodança, mas não foi possível, meu ex-querido chefe ao ficar sabendo que, eu era o ultimo dos moicanos fuzilou:
- pegue sua roupita de balé esteja lá amanhã, e tenho dito.

Logo que entrei  na sala enfeitada com motivos lúdicos, tipo gala gay, senti calafrios ao ver uns 20 marmanjos e apenas umas 4 meninas, liderados por dois profissionais de Biodança. Um paraguaio de barbicha,  que denominamos La garantia soi Jo e uma balzaquiana oxigenada, tipo odalisca do sexo, que chamávamos carinhosamente de Madona.

Mas até que tive sorte. Como se formaram duplas, acabei ficando com uma morena SS, toda cheia de curvas e no segundo dia até cheguei mais cedo para a tal biodança. Não lembro exatamente o que se passou ali, mas lembro-me de ter alisado, tocado, abraçado e beijado  minha companheira e vice-versa, uma beleza, tudo sob a orientação dos profissionais da biodança.  Como a maioria das duplas eram formadas por dois homens, vocês podem imaginar o estado lamentável de meus colegas durante os exercícios,  bem como,  devo ter sido invejado pelos pobresitos.

Jogos de Guerra

Churchil disse que a história da humanidade é a história da guerra e isto fez com que a criatividade do RH se expandisse. Eles perceberam que  a arte da guerra, poderá  ser uma material de inestimável valor para os executivos, que ali teriam noções de tática, estratégias, guerrilha, espionagem além de serem instigados a rápida tomada  de decisões.
Mais uma vez os consultores de treinamento fizeram a cabeça dos executivos e verdadeiros campos de batalhas foram criados e os executivos divididos em equipes que representavam os bad guys e os good guys.

E o que se viu foram cenas chocantes. Se no início do curso, haviam 2 equipes, no final haviam 10 , 15 equipes se digladiando entre si, numa ferocidade sem igual. Sangue, suor e lágrimas e principalmente traições e covardias. Tiros pelas costas eram ovacionados, quanto mais cruéis e chocantes, mais deliravam os executivos. As cenas que se sucediam,  as vezes eram hilárias, alguns executivos quando iam  atirar com suas paintball, fechavam os olhos, e assim que o estampido eclodia, eles davam um gritinho e atiravam a arma para o alto atingindo alguns pobres pássaros que passavam acima do campo de batalha, reduzindo assim nossa rica diversidade.

Toda a competitividade entre os executivos explodia ali em mil facetas e sequer prisioneiros eram poupados. A selvageria tomava conta e eles eram sumariamente executados e se as equipes do RH não retirassem seus “ corpos” eles seriam esquartejados.
Os RH percebendo a volta da barbárie,  resolveram a mudar a radicalmente o estilo dos treinamentos.

Tudo Pelo Social

Os RHs decidiram adotar então o estilo Hollywood, para cada filme de ação e pancadaria um filme meloso, água com açúcar. E criaram-se os programas humanizantes para os executivos, como se isto fosse possível. Podemos citar alguns deles:

1 – Cuidar de velhinhos nos asilos: muitos executivos choravam copiosamente no momento em que chamavam um ou outro aspone e terceirizavam esta atividade, não sem antes falar por meia hora sobre a importância e a beleza deste gesto que eles iriam fazer e também se auto-elogiavam pelo desprendimento , por repassar a outro tão nobre e prazerosa tarefa. Foi um fiasco total.

2 – Adotar um Menino de Rua: A princípio foi adotada por todos entusiasticamente, e alguns executivos empreendedores, já vislumbrando um novo negócio, montaram empresas de adoção e cuidados de menores abandonados, algumas com o sugestivo nome de PETstinhas. Ou seja, se não desse certo com os pestinhas serviria para os cachorros. Foi um sucesso, os executivos chamaram seus advogados que elaboraram os contratos de adoção, com cuidados terceirizados na PETstinhas e clausulas de reincidência, que foram acionadas simultaneamente um ano depois, quando o estilo dos  treinamentos mudou  novamente.  Naquele ano o numero de flanelinhas na cidade aumentou drasticamente.

3 - Troque seu cachorro por uma criança pobre: Esta modalidade nem saiu do papel com veto sistemático das esposas dos nobres executivos.

4 – Salvem a Natureza -  Esta foi a modalidade mais bem aceita, pois vários executivos fizeram imediatamente reserva em hotéis fazenda da região, onde passaram agradáveis fins de semana contemplando a natureza e bebendo até caír. A maioria sequer saiu do quarto, por esta razão o RH providenciou em cada quarto,  quadros de natureza morta, para garantir o sucesso do treinamento.

Logo em seguida, veio a onda do realismo de aventura, com treinamento em locais inóspitos do planeta onde os executivos recebiam suprimentos, equipamentos e tinham que cumprir uma determinada missão:

1)      Em Busca das Minas do Rei Salomão: Treinamento de aventura realizado no Deserto de Mojave, no Arizona. Os aventureiros executivos, com poucos suprimentos (bebida) tinham que cruzar o Death Valley e todo Mojave e encontrar  as Minas do Rei Salomão:  Las Vegas. O treinamento foi um completo desastre, metade dos executivos brazucas foi abatida a tiros pela imigração americana, confundidos com coiotes mexicanos. A outra metade nunca mais foi vista.

2)      Alive: Treinamento nos Andes, baseado no filme que conta a história das pessoas que para não morrerem de fome, passaram a comer seus companheiros mortos na queda do avião nas montanhas geladas. Foi outro fisco total, pois os executivos ainda dentro do avião, se envolveram numa carnificina incontrolável, que acabou provocando a queda da aeronave  que explodiu no gelo. Os executivos foram encontrados carbonizados com os dentes ainda cravados em seus companheiros o que prova que nem na queda eles deixaram de comer uns aos outros.

3)      Safari: Grupo de executivos levados para uma reserva do Quênia,  para registrar em fotos a beleza selvagem Africana. Este foi relativamente um dos treinamentos de maior sucesso, apesar de alguns executivos terem sido abatidos por man eater, leões devoradores de homens. Duas executivas  optaram pela vida selvagem tendo-se acasalado, uma  com um Gorila da Montanha e outra com uma chipanzé. Alguns executivos se tornaram contrabandistas de armas outros de diamantes. Quatro, no entanto retornaram ao Brasil  mas se filiaram ao PT.

Em algum capitulo no futuro: os sofisticados treinamentos de executivos da atualidade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário