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domingo, 21 de agosto de 2011

Terrores da Noite

“Aquilo que mais secretamente tememos sempre acaba acontecendo. Albert Camus. Esta bela frase do Camus sempre me perseguiu como uma sombra. Eu sabia que ela estava alí em algum lugar, a me perseguir e por isto mesmo evitava ao máximo possível, olhar para trás. Mas o que eu não sabia é que, também acontecem coisas que sequer imaginamos e elas, talvez por serem surpreendentes, são ainda mais assustadoras.


Mas, só agora eu percebo que, durante toda minha vida, sempre agi como se fosse um highlander, um ser imortal que desprezava olimpicamente as fraquezas das demais pessoas, que muitas vezes precisam recorrer a medicamentos para vencer medos imaginários como o sentimento de pânico, muito comum nas pessoas, embora cada uma com uma razão específica. Do meu Olimpo, eu achava tudo aquilo muito primitivo e superficial e tecia meus comentários às vezes irônicos sobre uma fraqueza que eu julgava muito fácil de ser controlada.

Até que um dia, 10 anos atrás, sorrateiramente, no silêncio da noite, estando sozinho em minha cama, fui tomado por um sentimento inexplicável de pânico. Era madrugada e eu estava só e não sabia exatamente o que eu estava sentindo, era uma sensação completamente nova, algo assustador e sem controle que me fazia parecer minusculo num quarto imenso e o pior, a sensação e a de que estava sendo esmagado por alguma coisa invisível , sobrenatural e terrível, que eu queria  evitar, não havia como fugir.
Mas passou e considerei aquilo um episódio isolado, uma destas coisas inexplicáveis que nunca mais irão se repetir, até que ela acontece pela segunda vez. 


“O medo tem muitos olhos e enxerga coisas nos subterrâneos.” Esta frase de Cervantes é eterna e se encaixa em nosso mundo atual. Dois mil e dez foi um ano marcante para mim, com uma série de acontecimentos e que me trouxeram alguns medos e esperanças que eu nunca havia experimentado. E 2014 foi um ano assustador no qual perdemos uma filha, num desses acasos do destino pois, as piores coisas acontecem quando menos se espera.

Resta-nos então a verdade terrível, de que tudo acontece ao acaso, dominado por forças que sequer podemos compreender mas, era bom crer, que podemos de alguma forma traçar nossos destinos.  Depois,  os medos acabam por nos limitar ao espaço que efetivamente podemos controlar e ele é muito restrito mas, felizmente somos movidos a vaidades e sonhos que vão nos devolvendo uma confiança ilusória, de senhores do destino até que seja necessário uma nova queda para recuperarmos a realidade.