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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Olhai os Lírios do Campo (by Lana Frances)

Lana Frances
Inicialmente, estava decidida a escrever algum artigo técnico mas, mudei de idéia no último instante e na verdade não sei explicar bem as razões, se é que elas existem de fato. Em um dado instante percebi toda minha introspecção, como se eu vagasse por terras distantes e desconhecidas e o que finalmente produzi, é um tênue retrato de momentos fugidios, captados em tempos diferentes, sem nenhum elo especial, influenciados tão somente pelas minhas atividades e pelo meu estado de espírito e a atmosfera daqueles instantes. E no final, quando a peça musical emergiu completa, eu percebi toda a dificuldade e a complexidade de se juntar todas aquelas sensações vividas e que se perderam definitivamente no tempo, não podendo eu mais recuperá-las por completo.  Havia apenas, vagas lembranças  dos fragmentos já vividos, coletados um a um, para um objetivo não muito claro, fútil talvez, mas que revelava alguns, poucos é verdade, conhecimentos novos, mas importantes, e proponho que façam o mesmo esforço, de  juntar estas vivências em suas vidas também.

Qualquer pessoa que trabalhe com a terra ou que goste dela, descobre o fascínio que é cultivá-las e colher aquilo que ela pode produzir. Em qualquer área, a observação aguçada do que acontece a sua volta torna-se enriquecedor para sua vida no dia a dia. É assim que trabalho e é assim que imagino que todos trabalhem.

A horticultura tem passado por modificações imensas na ultima década, pois ela, como a nossa vida, está em constante mudanças. Há uma expansão continua da horticultura e em especial, da fruticultura, em função do  aumento das exportações e do crescimento da renda per capita e do surgimento de um novo contingente de consumidores. Existe todo uma nova cultura de processos, permitindo que o produto pré-in-natura seja melhor trabalhado; existindo como base, parâmetros que foram meticulosamente estudados para se produzirem melhores frutos. Estuda-se meticulosamente cada etapa, desde as sementes, germinação, até a colheita.

Esta é uma história maravilhosa, porque as sementes possibilitam a multiplicação e a perpetuação das espécies, e  elas vêem das flores, pela fertilização dos óvulos. E somente existem flores porque as sementes foram cultivadas e este é o circulo vicioso daquilo que chamamos continuação da vida. Então querido leitor, esta é a prova viva do círculo da vida e portanto devemos sim, comparar  a beleza do desabrochar nos campos com o desabrochar da vida, porque eles estão intimamente relacionados e inseridos num contexto maior pela força criadora responsável pelo universo.

O ser humano nasce, cresce, floresce, frutifica, amadurece, murcha e morre. È a lei da vida. Todos  sabemos disto e está em qualquer pagina da Internet ou livro que você abrir.  É nisso que se resume a vida. Não somos como os vegetais, que têm a capacidade de desabrochar para um novo ciclo.  Nossas vidas não tem segundo ato, uma vez ceifados, não rebrotamos mais, mas temos em comum o fato de gerarmos frutos e assim como os vegetais, eles podem ser bons ou ruins, mas diferentemente das plantas, o fruto nunca depende apenas de nós.
Então mais uma vez me maravilho diante a natureza, desde a historia da bíblia ( Olhai os lírios do campos....)  ou da famosa e popular Onze horas, ou de outras que levam anos para florescer, mas cumprem seu papel, como por exemplo, uma certa flor da Indonésia, a  Lois ou Flor Cadáver, que curiosamente, leva milhares de pessoas, na época do seu desabrochar, a ficar  em imensas filas no museu de Houston, apenas para contemplá-la por alguns intantes, pois sua duração é efêmera.
O homem não é mais primitivo e  mesmo  seus ancestrais tendo descoberto que remexendo a terra e regando as plantas, elas cresciam melhor e tantas outras descobertas cruciais ate os dias de hoje, ainda assim o ser humano esquece da colheita, porque só se chega a ela depois de percorrer um longo caminho. Podemos ter durante toda uma vida varias pequenas colheitas, mas existe uma, a maior de todas que é a de ser digno e honrado até que se fenesça. Esta dependendo da crença, da religiosidade se torna ainda mais rigorosa. Mas não importa a crença, importa o que você fez e o resultado daquilo que vai colher.
Somos como as hortaliças folhosas, de alta perecibilidade,  que se usarmos de maneira indevida  a cadeia do frio, pereceremos  inutilmente. Faz-se necessário uma qualidade física, fisiológica e sanitária. Nossas sementes também devem estar integradas de cobertura, tecido de reserva e eixo embrionário. É uma grande miscelânea de atitudes, de ações e reações.

Nossa colheita, a humana, é exatamente igual às folhosas, momentos de estresse. As folhosas perdem a sua fonte de água e nutrientes, elas já não tem um solo fofo e húmido, estão agora submetidas a manuseios humanos e não da natureza, porém ainda assim a natureza permitirá que o humano classifique-a, embale-a e possa usufruir delas.

Portanto,  estejamos preparados para este momento, contemplemos mais a natureza, as estrelas, o sol e  o canto dos pássaros. Observemos mais como reage a natureza, se a nosso favor ou contra, porque assim descobriremos que, quase sempre,  interferimos de uma forma nefasta, e se com ela podemos aprender tanto, porque não aprecia-la e porque não  salvá-la.

 Se você não quer ir ao campo, é muito simples, observe um brócolis ou uma couve-flor no seu prato. Os brócolis são verdes porque estão cheios de clorofila e de carotenóides, já a couve flor não conta com toda esta majestosidade, mas tem suas funções, sua riqueza, então simplesmente olhe ara o lado e dê a mão ao seu semelhante. Em tudo nesta vida, queiramos ou não, dependemos uns dos outros.

Não tenha receio de ser careta às vezes pois o mundo não vai acabar porque você parou para observar, ou porque você parou para dar um bom dia!.

Entrego minha mão, para um aperto sublime. Lembrem-se, mãos também podem ferir ou acariciar, como as plantas que podem salvar ou matar.

Lana Frances



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