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sábado, 26 de junho de 2010

Mas quem é este que caminha ao seu lado?

Há muitos anos, em minha juventude, fiquei fascinado com uns versos de T.S. Eliot, o maior poeta americano, num poema chamado The Waste Land (A Terra Desolada), que reproduzo aqui, que eu mesmo traduzi:

Quem é o outro que caminha sempre ao seu lado?
Quando conto, somos apenas dois, lado a lado,
Mas se ergo os olhos e vejo a branca estrada,
Há sempre um outro que a seu lado caminha,
A esgueirar-se, envolto sob um manto escuro, encapuzado.
Não sei se de homem ou de mulher se trata
- Mas quem é esse que te segue a seu lado?

Estes versos certamente foram inspirados numa passagem bíblica, a qual relata o caso de dois apóstolos caminhando com Jesus a seu lado, que podiam vê-lo mas não podiam reconhecê-lo. 

Outra fonte de inspiração foi a experiência vivida pelo explorador polar Ernest Shackleton , em sua tentativa fracassada de cruzar a Antartida em 1915. Após seu navio (o Endurance) ficar preso no gelo e finalmente afundar, ele partiu, com um grupo de 6 homens, numa jornada de quase 2 mil Km, para buscar ajuda e resgatar seus homens que ficaram para trás, em acampamentos improvisados.

Uma epopéia sem par, utilizando um pequeno bote para cruzar o temido Cabo Horn, com suas ondas majestosas de mais de 18 metros de altura e furacões, e sepulcro eterno de incontáveis embarcações que se atreveram a desafiá-lo. Shackleton, um homem decente e destemido, conseguiu a façanha, tendo depois atravessado com seus companheiros, outros quilômetros cruzando geleiras e montanhas, num ambiente hostil e assustador, para finalmente alcançar as Ilhas Georgia do Sul. Conseguiu do governo chileno uma embarcação, e voltou para resgatar com vida, todos os seus homens que ficaram para trás. Sua tenacidade e perseverança não tem par na história moderna, era um homem admirável. 

Segundo seus relatos, durante sua travessia solitária, ele e seus companheiros sempre sentiam a presença de alguém mais, que não podiam ver, uma presença apenas, e talvez esta presença invisível tenha sido a grande responsável pela força de superação para sua heróica jornada.

Hoje se conhecem mais de 100 descrições de relatos semelhantes, sempre ocorrendo em situações de grande perigo, no Everest, no Mar de Drake, etc. Acabou virando livro por John Geiger( The Third Man Factor: The Secret to Survival in Extreme Environments).

Particularmente, nunca senti esta presença de uma maneira forte, mesmo porque, não me atrevo a aventuras arriscadas, mas às vezes, confesso, posso sentir someone else( alguém mais). Não necessariamente em momentos de perigo, mas naqueles momentos em que a alma se enche de dúvidas e a dor penetra nossos corações. E sentimos, pois a vida é cheia de momentos felizes, mas de repente, vem os momentos cruéis, nos quais achamos, sentimos que não podemos superar, e é neste ambiente cinzento, sombrio e desesperançado, que vem algo mais forte que nós, algo que não podemos entender, e subitamente, nos sentimos leves e sem compreender direito e superamos aquilo que antes nos subjugava de uma forma tão opressiva. E aí, a emoção jorra de todo nosso ser e agradecemos.

Nossa humanidade é movida por forças bipolares, de um lado os que defendem a ciência, do outro, os que defendem o lado espiritual. Infelizmente, o que não raro assistimos, é o extremismo de ambos os lados. Cientistas tentam provar que o fator do terceiro homem, é uma manifestação de forças de nosso cérebro. Chegaram mesmo a aplicar choques em pacientes para provar a simulação de sentimentos de presenças invisíveis. Do outro lado, os religiosos, defendem a manifestação de entidades divinas. 

Uma eterna disputa, como se isso fosse importante. Não acredito muito em verdades definitivas, em algumas pessoas podem ser manifestações estimuladas por distúrbios neurológicos, mas em outras pessoas definitivamente é alguma coisa além de nossa compreensão.

Durante nossas vidas passamos por diferentes fases e nossa fé varia, pois é submetida a uma incessante corrente de manifestações que nos fazem duvidar da veracidade de alguns acontecimentos bíblicos. Mas, só um tolo acredita que nosso universo, com sua complexidade, se originou de uma simples explosão cósmica que aconteceu por acaso.

Em tudo existe um perfeita ordem, como que seguindo um plano maior, determinado por alguma coisa tão grandiosa que somos incapazes de imaginar.
E à medida que nossas vidas vão fluindo, vamos percebendo aqui e ali, algumas “coincidências” impossíveis de explicar. Parece tudo parte de um plano minuciosamente elaborado, como uma peça musical e que flui aos poucos, revelando uma intrincada e complexa seqüência de andamentos, cada qual, se encaixando perfeitamente e acontecendo no tempo exato. Definitivamente, não são coincidências, mas acontecimentos que há muito tempo atrás estavam definidos.

Não caro leitor, não há teoria do caos que consiga explicar tamanha confluência de acontecimentos meticulosamente sincronizados.

Existe algo mais, que não podemos e não iremos compreender. Um cientista japonês, certa vez, criou a teoria da Terra Viva, na qual ela dizia, que nosso planeta era um ser vivo único, e que tudo que aqui acontece está inter-relacionado para a manutenção e perpetuação deste ser. Certo ou errado, não deixa de ser uma idéia fascinante, e talvez o mesmo possa ser estendido ao nosso universo, como um ser único, cujos acontecimentos estão todos inter-relacionados para sua perpetuação. O Deus, que não sabemos como é, talvez seja a inteligência não corporificada, que rege toda esta orquestra. O que conhecemos da bíblia, foi ali deixado para ser compreendido por nossa inteligência ainda limitada, porém em contínua expansão. Um dia, correremos mais rápido e talvez possamos ter vislumbres desta inteligência magnífica, que anda sempre ao nosso lado.