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domingo, 19 de junho de 2011

Profissão Repórter e a Voz do Povo

Deixei de ver jornalismo na TV há um bom tempo. Tudo no Brasil e talvez no mundo parece seguir modismos e o mais irritante deles em minha modesta opinião é a enxurrada interminável de entrevistas com gente comum, o famoso POPULAR, que palpitam sobre qualquer assunto. 

Se o Copon sobe os juros, lá vem ele, o Popular, no meio da reportagem dar sua insuspeita opinião. Enquanto a repórter loira e fake  ainda está falando coisas óbvias e ululantes sobre a decisão do Copon,  a imagem capta lá no fundo uma camisa amarela em zig zag, cambaleante como um bêbado na ventania. É o nosso herói popular que se aproxima para seu momento de glória. E ele vem absorto em seus poucos pensamentos, assoviando uma musiquinha sertaneja qualquer. Sua barriga avantajada de cerveja e cachaça avança na frente com pelo menos uns 4 palmos de vantagem, mas ele é um brasileiro e não desiste nunca. Logo ele alcança a repórter, mas infelizmente em segundo lugar, e a encontra  estatelada no chão, atropelada pelo seu barrigão popular. 


Ela se levanta num pulinho e atira o microfone na cabeça do infeliz ao mesmo tempo em que acerta um potente chute nas suas virilhas adiposas protegidas por air bags estruturados com a gordura de ensebadas picanhas de pingaiadas churrasquícias dos fins de semana. 

Mas a repórter tem um clic, e percebe que o popular se encaixa perfeitamente nuns dos modelitos recomendados pela emissora para o recheio das reportagens incompetentes, conhecido pelo curioso jargão técnico de A Voz do Povo. 

Se a equipe de reportagem é do Rio de Janeiro, eles sacam suas pistolas e obrigam o pobre infeliz a participar, se de outros estados, eles ameaçam o pobre e relutante coitado de entregá-lo para o SPC caso ele não dê seu depoimento. 

Rapidamente eles ministram mini-curso básico de taxas de juros, Copon e sua influência no cliclo menstrual das baleias assassinas para o abestalhado popular. 

Assim que ele volta a si, depois de ter um surto cerebral provocado por tamanha quantidade de informações de uma vez só, estimulado por uma dose de cachaça que lhe foi enfiada goela abaixo com garrafa e tudo, a reportagem reinicia. 

A reporter loira e fake pega o microfone que estava caído no macadame envenenado e diz: 

- E vamos saber o que o POVO ( elas dizem isto com imenso prazer, como se estivessem entrevistando uma cabra cega do Lula), pensa a respeito do aumento da taxa básica de juros: 

- O senhor ai , o que acha do aumento da taxa de juros do Copon? ela diz de sopetão para o Popular que ainda está com os olhos esbulhados tentando engolir a garrafa da marvada pinga. Ele ameaça sair correndo mas a vaidade fala mais alto e ele pergunta: 

- É pro Fantástico? 

Recebe novamente a tradicional bofetada e outro chute, desta vez nas canelas, pois estavam em cadeia nacional, da repórter sanguinária, para que ele se comporte. 

O Popular olha para a câmera como se fosse um pelotão de fuzilamento e começa a balbuciar algumas palavras, deixando assim sua valiosa contribuição para à humanidade. 

- Eu acho que o Copão num podia fazê isso agora não. Eu tava para comprar  o ingresso da final do campeonato in 12 parcelas. Político é tudo safado mesmo. 


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