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quarta-feira, 7 de abril de 2010

O Famigerado Recursos Humanos (Parte 1) - Série: Os Executivos Cap. 5

Este texto sofreu modificações no seu texto original, devido às ameaças sofridas por este pobre autor, por leitores inflamados e violentos. Nas ultimas horas recebi diversos emails bomba, alguns, suspeito que da Alcaida, que causaram danos irreparáveis aos meus computadores. Alguns seguidores ameçam a pular do barco, deixando este autor abandonado. Por favor, não me deixem só (autoria: Collor de Mello).

Um dos componentes chave de uma organização, é ele, o Departamento de Recursos Humanos. Ele é considerado o setor tarja preta, por causa dos efeitos colaterais, e seus ocupantes são obrigados a mostrar nos seus cartões de visita, uma advertência do Ministério do Trabalho: ADVERTÊNCIA!! MATERIAL BIOLÓGICO POTENCIALMENTE PERIGOSO.
O RH é composto de um diretor, o RH+, seus analistas, os RH+ou-, e suas Cheerleaders,as RH--, leitoras ávidas de livros de auto-ajuda e de psicologia para iniciantes. Elas contribuem para que, a despeito de todas as turbulências no cenário internacional, com seus tsunamis financeiros e marolinhas do companheiro Lula, eles, Os Executivos, possam ter o equilíbrio necessário para tocar o barco, pois navegar é preciso, de preferência nas Bahamas ou na Polinésia Francesa. Quanto ao equilíbrio estático dos mesmos, não há muito que fazer, pois a maioria é flex, e 9 em cada 10, preferem o utilizar o tradicional álcool etílico, on the rocks.

Uma das funções do RH é a definição das metas e da formatação do objeto de desejo dos executivos: o Prêmio de Resultados.

Na verdade o valor do prêmio é definido pelo Conselho de Administração, consolidado pelo Departamento Financeiro e finalmente divulgado na organização, pelo RH, como o prêmio possível, após exaustivos estudos da equipe de RH.

Para definir o valor do prêmio de resultados, o conselho de administração, formado por um grupo de velhinhos mais o Presidente e o Vice-Presidente, utiliza ferramentas complexas, que requerem exaustivas horas de reunião, regadas a champagne e canapés. As mais comumente utilizadas são o par ou impar e o palitinho.

Uma vez estabelecido o valor do premio, o conselho define as metas: neste caso não existem ainda ferramentas suficientemente inteligentes para substituir eles, os Técnicos, o seres pensantes da organização: pensam em ir embora para outra empresa, pensam no fim de semana que está longe, pensam no futebol e pensam em muitas coisas impublicáveis em Blogs de família. Eles são convidados pelo conselho, provocando cataclismos na Organização, subitamente sacudida por uma disputa feroz travada em suas arenas, mais precisamente nas baias de cada departamento: todos querendo ser o representante do setor. Táticas de Terra Queimada (Burning Plain) são empregadas pelos bábaros combatentes, deixando um rastro de destruição por toda organização. Após a árdua batalha campal, surge finalmente a lista com os nomes dos eleitos. E lá vão eles ao conselho para seus 15 minutos de fama, em suas vestimentas impecáveis: calça jeans da 25 de março e camisetas com jacarezinho, capturados em alguma pescaria. Já no conselho, o presidente convida o primeiro orador, e faz um sinal nervoso para sua secretária providenciar comprimidos de dramin para todos membros do conselho, precaução necessária pra evitar náuseas e vômitos indesejáveis na alta cúpula.

Então começa o show, aquela coisa monocórdica e sem vida, e que se arrasta indefinidamente como um canto gregoriano, levando ao mais profundo dos sonos, todos os membros do conselho logo nos acordes iniciais da cantoria.

Terminado a exposição do ultimo técnico, a secretária, já exausta, de tanto digitar palavras obscuras (jargões técnicos) mencionados pelos estranhos representantes da inteligência da empresa, acorda as Cinderelas do Conselho, deixando cair propositalmente uma bandeja de prata com canapés lambuzados pelo Board.

O pessoal da ambulância de plantão, ouvindo o barulho, entra em disparada, e vai colocando as máscaras de oxigênio em cada um dos velhinhos, pois são treinado para isto: o salvamento de pessoas, mais precisamente pessoas indispensáveis para a consolidação do Prêmio de Resultados.

Ressuscitado o conselho, o Presidente pede para os técnicos rabiscarem uma meta cada um. Os técnicos olham a sua volta procurando um Lap Top qualquer.

“Aqui, usem este papel de pão mesmo”, sugere o Presidente.
“Mas ele está com manteiga”, se queixa um dos técnicos.
“Escreva aí logo seu Bambi, resmunga o Vice-Presidente.

Bem, uma vez definido o valor do premio e as metas, o diretor do RH processa imediatamente toda documentação necessária para a compra de um AP na cidade maravilhosa, com vista para o mar: um mar de pagodeiros, sambistas, vendedores ambulantes e balas perdidas.

Mas o RH não está confortável, afinal de contas, a meta do conselho de crescimento de 1% ao ano, é ambiciosa demais e ele convence seu CEO e o conselho a adicionar uma meta a mais para resguardar o bem estar dos funcionários do grupo: Todo executivo que estiver dentro de sua faixa de peso corporal no fim do ano, terá automaticamente 50% de seus objetivos cumpridos. Medida que provoca uma profunda mudança nos hábitos dos executivos da empresa: a opção generalizada pelos refrigerantes diet nas refeições, que por sinal, continuam as mesmas.

No final do ano, as cheerleaders do RH, ou vigilantes do peso, soam o alerta final: um mês para o prêmio de resultados e ai é o sacrifício: uma greve de fome generalizada, mas que garante o bônus no final.

O RH também é responsável pelo apoio, aos Executivos, na contratação de pessoas: quando um candidato vai ser entrevistado, elas, as cheerleaders, chegam e se sentam, como juradas, pedindo para o candidato iniciar sua performance. No final elas emitem suas opiniões e dão a nota para o estupefato calouro. Você já de saco cheio daquela palhaçada toda, intervém e faz as perguntas necessárias para o candidato, sob o olhar de reprovação, das psiquetes (aspirantes a psicólogas). Terminado o questionamento, você já sabe se o infeliz serve ou não serve, mas, elas não desistem e começam a interrogar o empalidecido e desesperado candidato, assim mesmo:

- Você se considera uma árvore ou uma flor?
- Qual é o seu signo?
- Qual sua cor preferida?

Claro, você deixa o recinto imediatamente, pois tortura nunca mais. Se o candidato lhe interessa, é só voltar umas 3 horas depois, que lá estará ele, brincando de amarelinha com as psiquetes.
To be cotinued, (I hope so).

5 comentários:

  1. Minha fiel leitora, obrigado por suas palavras. Sim, respeito as opiniões de meus leitores. O objetivo deste blog não é ofender, mas sim mostra como funciona ou não funciona uma organização. Tirando o besteirol, utilizado para atrair os nobres leitores, sempre vou passar alguma coisa útil para os jovens, principalmente para eles não se comportarem como eu e respeitarem as organizações, afinal são elas que pagam seus salários. abraços tropicais

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  2. Gostaria de ter lido o texto anterior, apesar de este como os outros já serem bem impactantes. Só dá um pouco de medo de querer entrar no meio das grandes organizações e de ser uma "executiva" importante e bem vestida, e depois lembrar das suas palavras.

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  3. Jackie. Voce é uma das pessoas mais inteligentes que conheço. Não tenha medo, pelo contrário, não existe melhor lugar para se trabalhar do que em uma organização: tem todo o charme e glamour. E você será uma executiva de sucesso, basta querer. E mais, é sincera e ética, o que mais pode querer. Abraços.

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  4. Meu amigo, fantástico pra variar....rs....adorei.....Beto de lucca

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  5. Noossa Rogério, gostei do seu bom humor pra escrever... mas não generalize... existem ótimos profissionais de RH... rs

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