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domingo, 18 de abril de 2010

Capítulo 10 - A Operação ou Os Quadros Operacionais em uma Empresa (Parte 1)

 Toda empresa para funcionar, precisa de um quadro de executivos ávidos de poder, mas para que este poder possa ser exercido é necessário, embora muito a contragosto dos executivos, uma classe numerosa de pessoas, para compor o setor conhecido nos bastidores da empresa como A Operação.


Os funcionários do operacional não possuem o glamour nem o refinamento dos executivos, mas tem lá suas virtudes. Cineastas tupiniquins já se referiram a eles como: A Classe Operária Vai ao Paraíso, desde que passem desta vida para outra melhor e não tenham praticados atos vergonhosos em sua existência, fator que reduz em muito a quantidade de expoentes da operação no paraíso.


Os altos dirigentes são particularmente sensíveis e tem alta estima pelos funcionários da operação, pois são eles que efetivamente carregam a empresa nas costas, principalmente nas mudanças, carregam os computadores, as mesas, os armários e carregam até mesmo, os executivos temerosos de se sujarem naquela bagunça toda.


Os consultores costumam sempre lembrar que sem a classe operacional não haveria mudanças radicais nas organizações, e provavelmente, só existiriam empresas ainda na Inglaterra, pois foi lá que começou a Revolução Industrial. É graças a estes bravos funcionários da Operação, que podemos hoje usufruir de todos os benefícios da globalização.


Nas convenções de final de ano, são eles os grandes responsáveis por garantirem uma platéia numerosa, para que o presidente se sinta prestigiado e confortável ao fazer seu discurso de improviso, preparado com três meses de antecedência. Antes de iniciar a sua oratória, ele pergunta baixinho no ouvido do diretor de RH:


- O operacional são aquelas pessoas feias, sujas e mal vestidas que estão sentadas ali na galera?


- Sim senhor, responde o RH, fizemos o melhor possível, até os vestimos com camisetas iguais, para que o senhor possa reconhecê-los. O presidente então, virando-se para a turba operacional, solta o verbo:


- Vocês, meus estimados companheiros do operacional, são os esteios desta empresa, os grandes responsáveis por manter esta nau em seu devido curso, principalmente por remarem, mesmo famintos e sedentos, 24 horas por dia. E mais, os senhores também são os grandes responsáveis por permitirem que ano após ano, mantenhamos as tradições e façamos nossas mudanças radicais de praxe, eliminando anualmente, metade desta laboriosa classe. Mas os destituídos são sempre reconfortados com o FGTS e cinco meses de salário desemprego, que sabemos, é objeto de desejo da maioria dos senhores. Um presente de natal! Vejam como a empresa tem nos senhores consideração: seus desejos requerem que façamos cortes, cortes profundos e doloridos, que nos tiram o prazer de encontrar novamente pelos corredores, muitos dos Zés da Silva, que antes infestavam a organização como pragas de gafanhotos do Nilo, e que ficarão para sempre nas gravados em nossas memórias, instaladas em nosso imenso parque de computadores, para que não cometamos o erro de contratá-los novamente.


Ouvem-se então aplausos ensurdecedores, puxados pelo líder do RH, e o presidente sorri magnanimamente.


As empresas atualmente se dividem basicamente em dois tipos, utilizando-se uma metodologia preconizada por Alvin Tofler.
As da Segunda Onda, representadas pelas empresas fabris, nas quais o importante são os recursos físicos: equipamentos, matéria prima, o trabalho do ser humano e, naturalmente, o capital. Os funcionários da Operação nestas empresas são chamados de operários, e normalmente possuem modestas ambições, tornando-se no máximo presidentes da república.


Já as empresas da Terceira Onda, são representadas pelas Empresas de Serviços, no qual o importante é o conhecimento. Nestas companhias os representantes da Operação são chamados de colarinhos brancos, na realidade coleiras de identificação contendo GPS, para que eles não durmam em algum canto sem que ninguém perceba.


No início, a falta de conhecimento era até bem vinda para as empresas da segunda onda, pois o importante mesmo era a destreza manual e agilidade motora dos trabalhadores, necessárias para os processos repetitivos das linhas de montagem. Estas qualidades eram igualmente muito apreciadas entre os trabalhadores, pois quando se faziam as greves nacionais e tão logo chegava a polícia, os mais ágeis sempre se salvavam, enquanto que os mais fracos eram eliminados a golpes de cassetetes e balas perdidas. O grande naturalista Charles Darwin, se baseou nestas observações para elaborar sua conhecida Teoria da Evolução.


Nas empresas da Terceira Onda, a destreza manual e agilidade, com exceção dos funcionários de caixas de bancos, são atributos sem serventia. Nestas empresas valorizam-se muito mais o conhecimento do funcionário e raciocínio rápido. O conhecimento serve para identificar erros que o funcionário comete, e o raciocínio rápido para que ele possa culpar alguém ou arrumar uma boa desculpa e se safar perante seu executivo chefe. Este, por sinal, usa as mesmas técnicas para se safar perante seu superior, numa cascata interminável. No final, como sempre, os demitidos são sempre os porteiros, os grandes responsáveis por tudo de errado que acontece em qualquer empresa.


Como foi dito, as empresas de Terceira Onda são conhecidas como empresas de serviços. Como exemplo, podemos citar os bancos, as financeiras, as mídias impressas e televisivas, as empresas de internet, as empresas de turismo, as empresas de software, etc.


Dentro da Terceira Onda ainda existe outra classe, conhecida por Empresas Sem Serviços, que são representadas pelas estatais, órgãos públicos e governo, nas quais, os funcionários da operação ficam ali matando moscas e contando os minutos que faltam para encerrar o expediente.


Antigamente, a operação era muito utilizada pelos sindicatos como massa de manobra, para as grandes mobilizações nacionais, em busca de melhores salários e redução da jornada de trabalho. A operação se postava nos pátios ouvindo os discursos pseudo-marxistas dos Guevara, os representantes do sindicato. Grandes bandeiras vermelhas de pequenos partidos (quanto menor o partido maior a bandeira) eram agitadas nas manifestações por agentes infiltrados, buscando aparecer em cadeia nacional. No final as bandeiras realmente saiam em algum telejornal, e grande parte da operação ia para as cadeias municipais depois que a polícia entrava em ação.


Com o fim da União Soviética, os sindicatos que eram sempre de oposição ao governo desapareceram, e não tendo mais o que fazer, assumiram o governo, onde continuam sem ter o que fazer.
As operações em geral permanecem fazendo a mesma coisa, mas com ganhos adicionais como bolsa ensino, bolsa família, e outras bolsas. Já As Operações de empresas mais requintadas, recebem bolsas Louis Vitton, D&G, Dior, Prada e Dolce Gabanna.

To be Continued

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