Marina I. Jones Os Executivos Aventura Humana Tecnologia Mundo Rural Colaboradores

domingo, 4 de abril de 2010

De Executivo a Produtor Rural - Série: Os Executivos - Cap. 1

Não é fácil para a maioria das pessoas entenderem como um executivo, com um salário invejável, pode abandonar sua carreira, aos 45 anos, ainda jovem e cheio de energia, por uma aventura no mercado do agribusiness tupiniquim, corroído pelas mazelas sócio políticas dos nossos dirigentes, em sua grande maioria, herdeiros desta terceira praga do Nilo que foi contra-reforma: ricos não devem trabalhar, deixa isto com os escravos, ou seja, com o sofrido (um pouco preguiçoso é verdade) povo brasileiro, massa de manobra da esquerda tupiniquim.

Muitas pessoas me diziam, você está certo, está buscando qualidade de vida, outro abominável clichê, que infesta a maioria de nossa imprensa. Não se busca qualidade de vida, meus filhos, se busca realização, reconhecimento, se for num ambiente longe dos ruídos e da poluição ambiental melhor ainda.

As coisas são esclarecedoras, um dia estava contando para a esposa de um dos funcionários da fazenda, que às vezes, em New York, depois de uma reunião de 10 horas de trabalho, negociando parcerias de empresas, falando o linguajar típico de um executivo white collar: cash flow, break even, startup, IPO e outras bossas do universo wallstreetiano, íamos para um restaurante jantar e expor as vaidades de cada um, gastando 900 dolars para um grupinho, para depois dormir em algum hotel chique próximo ao Central Park (sim executivos gostam de ficar lá para dar uma caminhada, simulando ser praticantes de esportes, sendo que o único exercício que provavelmente fazem no Brasil, é abrir e fechar portas de carro, e alguns outros esportes radicais como entornar garrafas de whiskey nos quartos de hotel, enquanto falam de suas idéias revolucionárias, que aumentariam muito EBITDA das suas empresas, e claro à medida que o teor alcoólico sobe, expressam um profundo desprezo por todas as pessoas que ocupam cargos acima deles.

No final de minha explanação para a tal mulher, ela me olhou e disse: que decadência, largar tudo isto para ficar na roça.

Conclusão, pobre não quer ser apenas feliz (mito alimentado pelo nossos intelectuais e dirigentes, para justificar que bons salários não trazem felicidade), pobre quer glória e poder como qualquer um.
No próximo capitulo: o próximo capitulo

5 comentários:

  1. Você foi engenheiro por muitos anos vivendo no meio de pessoas que como descrito acima tinha uma percepção do que é felicidade diferente do seu...nesta epoca de grandes reuniões e viagens...o que te realizava? Gostaria de ler um pouco sobre os pontos positivos de ser um excutivo..realizações e etc...
    De uma certa forma você continua sendo um executivo..mas de seu próprio negócio...quais são os pontos negativos e positivos desta nova vida?

    ResponderExcluir
  2. Karen meu amor, você tem o meu perfil de executivo, e muito de minhas ambições, e talvez até maiores, sua própria carreira começa a ser meteórica, é muito jovem, e acho que vai se tornar uma executiva internacional (master of universe).
    Todas suas questões estão registradas e serão respondidas no seu devido tempo, na forma de capitulos de minha novelinha mexicana sobre o ambiente das grandes organizações: power, glory, disappointment and betrayal.

    ResponderExcluir
  3. Devo solicitar ao autor que "master of the universe" é de minha autoria... (na verdade minha e do He-man... rsrsrs) Bons tempos aqueles!!! Pegando uma carona na resposta para a Karen, algumas coisas valem a pena: os amigos que fazemos no caminho e que, no caso do Rogério, tornou meus dias - e de muitos que conviveram com ele - bem mais divertidos!!!
    Estou curiosa pelo segundo capítulo!!!

    ResponderExcluir
  4. Cara Bela, long time no see you. É você era uma das illuminadas que usava a expressão popularizada por Tom Wolf em seu livro The Bonfire of the Vanities. Bons tempos aqueles: o universo telecom & internet sem dúvida é glamuroso e cheio de histórias impagáveis, que pretendo contar algumas aqui; fico aberto a sugestões suas ou de eventuais amigos que trabalharam comigo naquele período. Não citarei nomes evidentemente quando criticar, mas citarei quando fizer elogios. Claro, não mencionarei empresas.

    ResponderExcluir
  5. Ja que comecei ler esta serie de traz para frente, estou com a sensação que hoje voce é muito, muito mais feliz. Sua inteligencia é visivel, mas acho que voce é muito mais ar natural que "condicionado"

    ResponderExcluir