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domingo, 4 de abril de 2010

Tipinhos de Executivos - Cap 2 – (Série: Os Executivos by Rogerio Rufino)

Amigos e escassos leitores, como em toda novela mexicana, é preciso caracterizar bem os personagens, para que a trama se arraste assim digamos indefinidamente...Bem, neste capitulo, vamos falar sobre os diferentes modelos de executivos existentes no mercado brasileiro, conhecidos no metie como tipinhos de executivos.

Na verdade existem apenas duas classes, os empreendedores e os que merecem ser, digamos executados, como diria o Millor, na guilhotina e com a corda no pescoço. Dentro destas 2 classes temos os vários modelitos.

O primeiro tipo é o tradicional, o Mauricinho. Eles adoram roupas de grife, reuniões longas, treinamentos, bajular superiores, conhecem a fundo a política de recursos humanos da empresa e viajar. Ou seja, nada do que gostam tem alguma serventia. Vivem a procura de um novo projeto, chantageiam o baixo escalão com espelhinhos para descobrirem uma nova tecnologia, que irá gerar um negocinho, o que será a deixa para ele colocar as malinhas debaixo do braço e partir para uma viagem de prospecção de negócios, preferencialmente no hemisfério norte. Quando a turba não consegue gerar novos negócios, ele lança mão da arma infalível: vamos contratar uma consultoria. Como todos sabem, consultor é aquele cara que te pede o relógio para te informar as horas e te cobra uma fortuna para isto. Mas isto não falha, logo caravanas estão a caminho dos EUA para estudar como as empresas ali funcionam. As milhagens que este tipo de executivo acumula são em geral maiores que as horas de vôo do piloto do Lulabras.

O duro é que alguns destes executivos, conquistam a apreciação da alta direção, pela amizade, dedicação (estico os lençóis chefe?), e chegam ao topo máximo, para nos brindar com pérolas como, as que eu ouvia, quando apresentava um business plan (ex-executivos também não perdem a fleuma, citações em inglês para impressionar a plebe ignara) de um novo produto Telecom. Para citar um exemplo, eu havia acabado minha apresentação do projeto ADSL, na empresa que eu trabalhava, pioneira no serviço no Brasil e o CEO perguntou: isto é telefone?

Tá bom, no Brasil até a privatização, empresa Telecom era a que vendia telefones, tinha até consórcio. Dava-se telefones de presente para a esposa, orelhões para a sogra, havia traficantes de telefone, seguro de telefone e coisas do gênero. Felizmente o presidente Fernando Henrique ( defeitos a parte), corrigiu esta mazela, e saímos dos 4 milhões de telefones, uma das mais baixas densidades no mundo para mais 200 milhões de linhas hoje. 

O interessante, é que assistindo a TV Senado (claro sou um patriota e não dispenso os programas de humor oficiais), vi uma pseudo advogada com provável passado em repartição publica, anunciar que: nossa tarifa era a mais cara do mundo, tirando um país africano que não me lembro o nome, mas que provavelmente nem telefone tem. A desconhecida advogada insistia que isto era culpa do Fernando Henrique, que privatizou a reconhecida agência Telebras, ou Cabidobras para os mais íntimos. Ora, quem tem um pouquinho de conhecimento sabe que quase 50% do custo de nossas tarifas Telecom são impostos do nosso governo. Se pagássemos os 15% de impostos cobrados em média nos EUA até que nossas tarifas não fariam feio. Mas esta é outra história, voltemos aos tipinhos de executivos.

O segundo tipo de executivo é o conhecido como perigoso, ele é corajoso (com dinheiro dos outros é mais fácil), contemporâneo, na língua wallstretiana ou executivesa, é mais conhecido como up to date ou cutting edge executive, ou sai da frente que eu to passando, em geral por cima.

Ele é inquieto, e nunca está satisfeito, gosta de aventuras, porque se o novo empreendimento der certo ele será glorificado. As pessoas murmuram nos corredores quando ele passa: esse é o cara. O perigoso normalmente vai ao orgasmo em tais ocasiões. Eu era um executivo deste calibre. Para vocês entenderem os riscos que uma organização corre, leiam com atenção esta história.

Quando iniciei na empresa Telecom que eu trabalhava, tínhamos só os serviços de telefonia, mas como eu não estava confortável, vendo aquela lata velha funcionar, gerando uns caraminguás mensais, pensei esta mamata vai acabar com a privatização, vou ver se descolo algo novo. Era o ano de 1990, sempre fui visionário e sempre errei nas datas: a privatização só veio em 1998. Mas naquela época eu achava que ela era iminente, santa ingenuidade, esqueci que morava no Brasil e as coisas só acontecem aqui por decurso de prazo.

Bem, mas resolvi, naquela época implantar o negócio de comunicação de dados em minha empresa. Eu era expert no assunto, nunca tinha visto um modem nem tinha idéia clara do que era aquilo. Só sabia que se as pessoas falavam entre si, era muito natural que a máquinas iriam também falar cada vez mais entre si. Pronto, é tudo o que um executivo do tipo perigoso precisa para o seu startup. Observação: nesta época não era executivo, apenas aspirante.

Fiz minhas pesquisas, naquela época não existia internet, a gente olhava umas revistas americanas empoeiradas. Recusava a ler as nacionais, com medo de algum tipo de contágio, e acabar instalando telégrafos na cidade.
Bem, já tinha o meu esboço de business plan, e percebi o mais importante, não era preciso grandes investimentos, mas eu precisava de um cliente. Como eu queria visibilidade, eu logo procurei um grande, não adiantava ligar dois computadorezinhos com um par de fios, pois isto a Embratel já fazia. Eu queria chocar, o perigoso executive é assim, sua cabeça ignora as pequenas coisas, a não ser que tenham volume, historinha que vou contar em outro capitulo.

Consegui um cliente poderoso que queria interligar suas sedes em fibra óptica. Seria a primeira do gênero em Minas Gerais. Negociamos com o cliente e paralelamente com os parceiros tecnológicos americanos que encontramos, nem sei como, pois não havia internet. Falávamos ao telefone, e fui aprendendo a tecnologia rapidinho, custos etc. A vantagem do perigoso é esta, ele não sabe, mas tem uma lógica quase infalível, ele deduz como serão as coisas. Apreende muito rápido.

Bem, parceiros estabelecidos, proposta comercial feita, negócio fechado, vamos ao trabalho então: instalar a rede do cliente.

É ai que a lógica do perigoso pode falhar: fechado o negócio ligo para o meu parceiro americano e ele diz, a empresa foi vendida e não temos mais planos atender os bravos desbravadores do negócio de comunicação de dados tupiniquim. Um executivo tradicional já teria, entrado em colapso nervoso e procurado outras benesses em outra empresa, largando o cliente e a empresa na mão, ou então culparia o baixo escalão pelos erros e faria o assunto ser esquecido, e pediria na surdina para a concorrente atender seu cliente antes que mais alguém soubesse.

O Perigoso não, passados os 5 minutos iniciais de pânico, ele percebe que nada mudou, só precisa recomeçar de novo e encontrar outro parceiro de preferência com escritórios no Brasil.
No prazo previsto instalamos a rede do cliente que funciona até hoje.

Outro tipo de executivo é o conhecido como Avatar, um ser dissimulado e pegajoso, enviado pela alta direção para ver se tem alguma coisa errada na empresa, como mau olhado, olho gordo e outras cositas mas. Ele fica assim, peregrinando pela organização, ninguém sabendo exatamente qual sua função, onde e quando ele vai aparecer, espalhando o terror ao longo dos corredores. É também conhecido com executivo trainee.

O último tipinho é o executivo sem noção, mais conhecido pelas gafes, por nunca estar a par do que está acontecendo ao seu redor. Certa vez, quando morava nos EUA, levei um grupo de executivos para uma reunião numa empresa em Chicago, chamada Westell. Bem, meia hora depois de começado a reunião aparece uma secretária nervosa dizendo que tinha um brasileiro insistindo em falar com o Sr. Westell. Levamos alguns minutos para acalmar o nonsense, até explicar para ele que não existia nenhum Sr. Westell, a empresa é que tinha este nome..
No próximo capitulo: não tenho a menor idéia.
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Um comentário:

  1. Sabe que quando vejo um Mauricinho, sempre penso que é office boy de multinacional? rsrsrsrsrsrs porque conheci um que dizia que era executivo em ascensão, me lembrei dele e já enviei o texto pra ele!!!!
    Continue......

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