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domingo, 17 de outubro de 2010

A China na Visão de um Brasileiro Vencedor de Reality Show em Pequim (By Beto De Lucca)

Beto De Lucca
É como se fosse um desenho animado: após horas dentro de uma máquina (o avião no mundo real), de repente acordamos num mundo completamente diferente do nosso. Olhares fixos, muitas vezes estarrecidos, caem sobre nós de maneira incisiva. Com certeza é algo que causa certa estranheza, ao menos a quem não está acostumado a ser o centro das atenções.  Não se trata de um outro planeta, mas sim de um lugar do outro lado da Terra, a China.

Sem passar pela experiência fica muito complicado falar alguma coisa, mas ainda sim podemos arriscar algumas sensações. Logo de cara quando descemos do avião já sentimos os olhares aguçados dos Chineses, em função de sermos Ocidentais e de nos vestirmos de modo significativamente diferente. O fato da abertura comercial ter se dado muito recentemente, ainda existe uma certa “perplexidade” ao se observar Ocidentais nas ruas, principalmente por parte dos pessoas de mais idade. É uma sensação única ser observado dessa forma, e a única coisa que eu fazia quando por vezes me sentia um pouco incomodado, era retribuir o olhar incisivo.

A alimentação me parecia algo que eu tiraria de letra na China, especialmente em Pequim, uma cidade grande. Eu que sempre comi em restaurantes Orientais, especialmente os Chineses, achei que talvez com poucas exceções, poderia comer quase que de tudo. A verdade se mostrou um pouco diferente, pois já no 1º. jantar que tive, quase tive que ir para o hospital.... Como eu adoro comida apimentada, daquela forte mesmo, não relutei em aceitar um prato de carne de porco embebido num molho escuro, bastante oleoso, e “spicy”, como me disseram. O sabor era delicioso realmente, mas com certeza continha além de pimenta algum tipo de erva que me causou um formigamento nos lábios quase que incontrolável. Perdi a sensibilidade normal de toda boca, ao mesmo tempo sentia um forte ardor e não parava de tremer. Tomei coca-cola para tentar controlar a situação, mas não consegui terminar o prato... Depois desta experiência, passei a ser bastante cuidadoso, pois logo percebi que pratos deste gênero eram comuns em praticamente todas as refeições, e às vezes a aparência de um belo camarão ou bife inofensivo, revelava sensações um pouco mais agressivas do que eu estava disposto a enfrentar. Enfim, apesar de tudo isso, eu tenho que dizer que adorei muita coisa: alguns tipos de mariscos diferentes bastante saborosos, cogumelos de inúmeras espécies, macarrão ou “noodles” com molho de carne envelhecido (foi assim que me explicaram), e até mesmo um espeto de besouros bastante saboroso.

Algo bastante interessante que encontrei em Beijing (como Pequim é chamada por lá), foi uma considerável admiração de diversos Chineses que sabiam que eu era Brasileiro. O estreitamento do relacionamento comercial entre o Brasil e a China, a grande admiração do povo Chinês pelo nosso futebol, entre outros fatores, desperta no povo Chinês uma grande vontade de saber mais sobre o Brasil. Eles ficam aguardando que falemos alguma coisa sobre o país, algo que eu fiz inúmeras vezes. Alguns interlocutores se manifestaram quase que extasiados com a nossa conversa, em virtude de tão interessante que eles a consideravam. Na verdade eles ouviam coisas que seriam praticamente impensáveis na China, tais como a descrição de uma churrascaria lotada em São Paulo, ou os acontecimentos bons e ruins que se passam na Praia de Copacabana no Rio de Janeiro, entre outras coisas. Um dos assuntos que mais me chamou a atenção foi quando por algum motivo contei mais ou menos como os adolescentes no Brasil costumam namorar, ficar, etc., e eu pude sentir no olhar de quem eu falava que aquilo era algo muito diferente para eles.

No ambiente empresarial pude perceber também várias particularidades da cultura Chinesa, além daquelas já muito mencionadas quando alguém fala desse assunto (entregar e receber cartão de visita sempre com as duas mãos, evitar usar a cor amarela forte por simbolizar sexo, etc). Notei claramente como a formalidade faz parte do dia-a-dia com os executivos, e que alguns rituais a acompanha. Por exemplo, se um executivo vai fechar um negócio num almoço, todos os chineses irão fumar e beber durante a refeição, e eles esperam que você faça o mesmo. Se você não fuma pode até recusar muito educadamente, mas se não aceitar a bebida o fechamento do negócio estará certamente em risco.

Outra questão interessante é que a percepção de qualidade que os brasileiros tem dos produtos chineses é muito equivocada, em virtude do comércio informal no Brasil importar principalmente os produtos de menor preço e consequentemente de menor qualidade. Para comprovar isso, nada melhor que visitar um dos mercados de produtos falsificados na China. Você verá que a grande maioria dos artigos é de qualidade tão grande que certamente supera a de muitos produtos tidos como “de marca”. E isso vale para roupas, calçados, eletro-eletrônicos, enfeites, artigos de couro, entre milhões de outras coisas. Se o Brasil passasse a importar de forma mais expressiva produtos deste nível, a impressão mudaria de imediato no Brasil. E o melhor: é tudo barato, mas muito barato mesmo. Quer uns exemplos: comprei uma jaqueta de couro de uma marca famosa de motocicletas, a qual custa no Brasil por volta de R$ 1.500,00. Paguei pela mesma jaqueta mais ou menos R$ 190,00. Também comprei uma máquina digital que no Brasil é vendida por R$ 2.500,00, pagando apenas R$ 1.300,00.E só não comprei muito mais porque a cota de viagem permitida pela Receita Federal não é suficiente para matar as minhas vontades.

O volume de negócios entre Brasil e China vem crescendo de forma tão  impressionante, o que claramente mostra que ambos os lados estão aprendendo a superar as diferenças culturais. E eu posso garantir, apesar de algumas situações demandarem um esforço razoável, a recompensa é gigantesca. O enriquecimento ocorrerá para ambos os lados, e eu não falo só do material, mas sim daquele que ninguém nunca mais poderá tirar de quem o adquiriu.

Ah, eu já ia me esquecendo.... eu fui a Pequim para participar do “Absolute Challenge”, a versão Chinesa do reality show de recrutamento de executivos “O Aprendiz”, e tive a felicidade de ser o vencedor. Assumi a gerência internacional de marca de uma multinacional Chinesa com ponto de presença em SP, e ao término de meu contrato voltei pra Uberlândia. Não tem jeito, a paixão pelo Triângulo Mineiro me fez optar por me estabelecer nesta região, aonde após algum período de muito estudo para me formar como terapeuta em Programação Neurolinguística, consegui a autorização para montar a unidade do Instituto Você (www.1234voce.com.br). Foi o amor inexplicável de um paulista que bebeu a água dessa terra, e que não insiste em matar a sua sede sempre que possível neste lugar.

E passados alguns anos, 20 treinamentos “VOCÊ”, 02 treinamentos “DIAMOND”, e 01 curso “Practitioner” depois, estou eu aqui começando do zero na Florida, USA, prestes a lançar o treinamento VOCÊ por aqui. É a combinação de dois sonhos de uma vez, que mesmo com a dor da solidão que sinto por estar longe de tantas pessoas queridas, still keeps me moving!!!   

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Beto De Lucca
INSTITUTO VOCE - Human Training and Development
Miami/FL - USA: 1-954-683-1234
Uberlandia/MG - Brazil: 55-34-323-1234-0

6 comentários:

  1. Parabens Beto muito bom mesmo, você está saíndo um ótimo escritor. Acho que o próximo artigo você pode falar como funcionam as empresas chinesas, da maneira que você comentou comigo certa vez. Precisamos desmistificar isto. Abraços

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  2. Grande Beto, viajei pelas terras orientais, aí eu iria fazer um gde sucesso pelo tamanho do meu olho...valeu mesmo foi o seu artigo, fantástico também, daqui a pouco damos a volta ao mundo em artigos no Blog, um grande abraço e sinta nossa amizade ainda que de longe, fica com Deus, Irmã Selma

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  3. amigo Roger e Irma Selma, obrigado peplo carinho e apoio de vcs.... Vamos certamente aos poucos esclarencendo mais detalhes, procurando passar algo que faça a diferença de verdade aos nossos queridos leitores. E com mestres como vcs, me sinto um pequeno aprendiz com vontade de caprichar cada vez um pouquinho mais!!! abraços, fique com Deus, e 1234!

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  4. Prezado Beto,

    Muito interessante seu artigo sobre a China.

    Desde que estudei Negócios Internacionais nos Estados Unidos e tive a oportunidade de estudar sobre este país me apaixonei. Estou sempre lendo a respeito e até mesmo fiz seis meses de mandarim no Montgomey College em Maryland.
    Retornando ao Brasil tive a oportunidade de trabalhar em Comércio Exterior no maior atacadista da America Latina no qual sendo importação a minha área trabalhei muito com chineses e notei que o pouco que eu falava em mandarim e respeitando sempre a cultura dos mesmos os negócios fluíam de uma forma muito agradável e rentável.
    Agora trabalhando em uma Trading de pequeno porte ainda em Uberlândia creio que muito em breve terei a oportunidade de conhecer este país que sempre me despertou grande interesse.

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  5. Impressionante sua história Beto! Fico feliz que você e meu pai se conheceram. Este blog só tem a agregar. Sucesso!

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  6. Viajei ha um tempo distante. Ja vivi isto. E revivi hoje. Muito bom.

    Lana Frances Franco

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