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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Motociclismo, Uma Paixão Que Vicia! (by Beto De Lucca - Estados Unidos)

Beto De Lucca
Todo mundo já viu ou ouviu falar de grupos de motociclistas que se encontram periodicamente, passeiam juntos, andam vestidos à caráter, entre outras peculiaridades deste universo de pessoas. Vou aqui dividir com você uma parte da minha experiência como motociclista, a qual envolve a participação em um destes motogrupos, além da convivência periódica com praticantes desta atividade tão especial. Quero contribuir um pouquinho para a disseminação dos prazeres e alegrias do mundo das duas rodas, nem sempre compreendido pela sociedade.

Bom, pra começar, é crucial esclarecer um engano muito comum. Muita gente chama os integrantes de motogrupos, ou motociclistas que passeiam sozinhos, de “motoqueiros”. Hoje em dia este é um termo considerado pejorativo, que designa algo de não muito bom associado ao fato de se pilotar uma moto. Como todos sabem, existem pilotos, mais comumente encontrados nas grandes cidades, que na verdade são um desastre para o já caótico trânsito destas localidades. Andam feito loucos por entre os carros, chutam os espelhos retrovisores de motoristas de automóveis que ousam não manter uma certa distância deles (ainda que eles trafeguem por um local proibido), estacionam nas calçadas, etc, etc, etc. Eu poderia enumerar mais umas dezenas de irregularidades praticadas diariamente por estes bárbaros, e que eu via todos os dias quando residia em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, e ainda que em menor número, também infelizmente em Uberlândia. Estes são os “motoqueiros”, aqueles que usam a moto para o seu transporte, às vezes também o de mercadorias, mas que fazem questão de serem os loucos do asfalto. Infelizmente também às vezes existem generalizações, dizendo-se, por exemplo, que os motoboys são assim, o que evidentemente não é 100% verdade. Ainda que parte dos integrantes dessa classe sejam imprudentes, eu mesmo conheço alguns que são verdadeiros motociclistas, andando de acordo com a lei, respeitando os demais condutores da via em que estão, e que tem bom senso na hora de pilotar sua moto. Enfim, eu fiz questão de dar ênfase a esta questão, pois se você um dia for se dirigir a alguém que pilota uma moto e a sua intenção não é dar margem a uma eventual interpretação dúbia, diga “motociclista”, sempre!

Então como diria um apaixonado que conheço pela língua Inglesa, “back to the ice cream” (de volta ao sorvete, com sentido de volta ao assunto gostoso que estava sendo discutido antes...) gostar de andar de moto é algo que afirmo já ser quase genético. Se alguém discorda, como explicar, por exemplo, então uma paixão de uma criança, menino ou menina de às vezes 5 ou 6 anos de idade, de pais que nunca tiveram motos, por esse objeto de admiração de milhares de pessoas? Os olhos brilhando, o coração disparando ao se ouvir o som maravilhoso se aproximando, são os sintomas mais clássicos. Eu por exemplo, vivi numa família a vida toda sem motos, nunca tive contato com motociclistas, mas sempre colecionei objetos e adereços alusivos à Harley Davidson, minha paixão incondicional. Se eu comprasse uma moto, mesmo que maior de idade quando vivia próximo aos pais, a minha mãe morreria de enfarto, e o meu pai de desgosto. E ainda assim aquele sentimento me dominava.... E como eu, conheci tantas outras pessoas com experiências semelhantes, realmente com algo que “vem” no sangue, que está na alma. Por exemplo, meu sogro. Pilotou por mais de 40 anos, até hoje dá seus passeios (e ele está com mais de 70 anos). Ele uns anos atrás pegou minha sogra, e fez uma viagem de 700 km. Eu fiquei olhando, pensando, e cheguei à conclusão de que eles estava fazendo algo de muito bom.

Fui comprar minha 1ª. moto quando me mudei pra Uberlândia em 1999, uma Yamaha Virago 535. Eu nem acreditava que estava realizando esse sonho, e o mais incrível, eu o fiz sem saber andar de moto! Como estava longe dos pais, ninguém iria passar mal de saúde com preocupações, e eu poderia aprender com tranqüilidade. E depois de 15 dias, já me virava bem, mas posso dizer que aprendi a ser um motociclista mesmo após 01 ano de saídas praticamente diárias. Neste momento é importante descrever as 1as. sensações do vento no rosto que tantos falam. Não adianta abrir o vidro do carro e colocar a cara pra fora, não adianta ficar de frente pro ventilador, nem mesmo ir à bordo do Titanic e se colocar na proa com os braços abertos! Nada se iguala a um passeio, de preferência numa rodovia tranqüila, num dia de temperatura agradável, em cima da sua querida.... E não pense besteira, quando digo querida, sempre estou referindo à moto, claro! A sensação é inigualável, insuperável, incrivelmente única. Só um motociclista sabe o que é se recuperar de um dia de stress depois de pilotar sua máquina por uns 15 minutos. Nada pode ajudar tanto. Depois da Virago, passei pra uma Suzuki Bandit 1200 (essa deu grande emoção, apesar de ser de estilo diferente do que mais aprecio), depois um triciclo By Cristo Star II Top, em seguida pra “Verônica”, minha 1a.  Harley Davidson Softail (uma Springer), e por último, uma Harley Softail Rocker (a "Jennifer").  A Verônica era temperamental, nunca podia ficar mais de uma semana sem pilotá-la, senão ela me queimava. Eu como muitas vezes piloto de bermuda, ela se aproveitava disso quando se sentia abandonada, e pronto, dava aquela fritadinha na batata da perna.  Já a Jennifer, por ser mais novinha, me entendia sempre, pilotando ou não...rs... O difícil foi quando eu tive que me desfazer das minhas paixões, ah como chorei meus amigos.... às vezes as necessidades da vida nos obrigam a fazer coisas inimagináveis, contudo sempre há uma opção: e eu opto sempre pelo dia de amanhã melhor que o de hoje. Eu me mudei para os USA, e aqui estou ainda no começo, quando a coisa ficar melhorzinha, vou arrumar uma nova companheira....

Costumam dizer por aí que existem duas categorias de motociclistas, os que já caíram, e os que vão cair. Eu estou na categoria dos que vão cair, e se possível pretendo permanecer sempre nessa categoria. Agora as queimadinhas, essas são inevitáveis! O jeito é pedir pro Timba - Uberlândia - e pra Carla Rissatto – São Paulo (os melhores tatuadores do Brasil, sem dúvida!) tatuarem a minha perna, assim eu fico com dó de estragar a tatuagem, e piloto só de calças compridas, acabando com o risco de acabar com o pote de caladryl de casa.

E os motogrupos, uma boa ou não participar? Isso vai muito de cada um, é uma questão pessoal mesmo. Existem aqueles mais tradicionais, os que se encontram com menos freqüência, existem opções para adeptos de vários estilos. O maior e mais conhecido motogrupo do Brasil é o intitulado “Os Abutres”. Sempre de roupas de couro pretas, seus coletes com o emblema do grupo e o respectivo nome do motociclista, entre outros adereços. Assim como os demais motogrupos, só aceitam novos membros por indicação, e tem seu estatuto próprio, com todas as regras e condições para a adesão, direitos e deveres dos iniciantes e veteranos, tudo bem definido. Eu participei do “Hell´s Bells” de Jundiaí, na verdade um pequeno grupo de amigos fanáticos por Harleys, que se uniram e que quando dava na “telha”, ligavam suas queridas e partiam pro crime, no bom sentido, é claro! O que eu gostaria de citar aqui, o que realmente considero mais importante, é a questão de se viajar sozinho ou acompanhado de outras motos. Na minha opinião, o bacana e agradável, é ter os amigos por perto sempre que possível. Se é só uma união casual ou se são participantes de um mesmo motogrupo, isso não é o mais importante. O fato de estarem juntos naquele momento, dividindo a pista, trocando idéias, à disposição do outro se precisarem de apoio, e chegando junto no destino como se estivessem invadindo uma cidade, ah, isso não tem nada igual! O barulho das motos chegando juntas, os olhares admirados (mesmo que disfarçados às vezes), é algo que causa uma agradável sensação. Não é narcisismo não, nem tampouco exibicionismo. É simplesmente a vontade de mostrar ao mundo que existe uma forma muito bacana de ser feliz!

Enfim, aqui não quero deixar nenhum familiar desesperado por ter um ente querido partindo para o mundo das duas rodas. Quero sim poder ver mais pessoas livres do stress do dia-a-dia, mais felizes em casa ou no trabalho, e cientes de que podem mudar seu estado de espírito de uma forma simples. Tudo sempre com muita responsabilidade e prudência, pois de que adianta tudo isso se depois não estiver vivo pra contar a história!  Bom, valeu, e se vocês estiverem à fim, nos vemos na estrada!!!
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Um comentário:

  1. Beto meu caro, eu sou uma grande admiradora de motos e motociclistas, rs me lembrei que a primeira vez que eu vi um grupo de motociclistas olhei disfarçadamente pra eles, achei extremamente interessante suas roupas, e aquelas motos lindass... ta aí uma coisa que pretendo fazer ainda, comprar uma moto e sair por aí sem destino... deve ser ma ra vi lho sooo...adorei seu texto querido... super beijos... 123334

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